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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Irlanda #5 - 9 de Junho

Este foi o dia em que andámos só na zona de Cork, pela primeira vez dormimos duas noites seguidas no mesmo hotel!

De manhã, pela fresca, visitámos o mercado inglês (era aqui que estavam as pernas do frango que nos serviam a refeição porque os senhores só nos davam peito de frango).



Andámos a pé no centro de Cork, com aquela chuvinha boa, e fomos à Crawford Art Gallery (mais uma vez me apercebi que não percebo nada de arte).



Dirigimo-nos então para Middleton, uma localidade a pouco mais de 20km de Cork para visitarmos a casa mãe da Jameson, uma das mais importantes destilarias de whiskey. É a destilaria mais antiga, funcionou mais de 150 anos, até 1975. O whiskey irlandês escreve-se com 'e' antes do 'y' ao contrário do whisky escocês que não leva o 'e'. Isto deve-se ao número de vezes que o wiskey é destilado na Irlanda (3 vezes) e na Escócia (2 vezes). O whiskey irlandês é menos conhecido que o escocês porque em tempos houve um boicote à sua produção. No whiskey irlandês usa-se cevada malteada e água. As destilarias compravam a cevada aos agricultores que a traziam para a destilaria. A cevada malteada é a cevada germinada, mergulhada em água 4 dias e depois metida numas placas para secar e depois era armazenada. Secava naturalmente na Irlanda. Os escoceses forçavam a secagem, o que faz com que o whisky escocês tenha um trago mais fumado que o irlandês. Na destilaria, depois da visita, foram escolhidas seis pessoas do grupo para fazer a prova do whiskey. Nem tentei candidatar-me, o whiskey não está na lista de coisas que gosto de beber.

O processo de se fazer o whiskey é muito interessante, vamos lá ver se não me esqueço nenhuma passo:
  • Antes de mais, é importante falar nos ingredientes: cevada e água;
  • Os agricultores vinham do campo carregados de cereais que descarregavam no pátio da Destilaria;
  • Os cereais eram guardados em sacos de 50Kg no "Grain House", um local com vários andares para rentabilizar o espaço;
  • Passava-se ao processo de Malting, onde os cereais estavam espalhados numa espécie de celeiro que tinham um forno por baixo para emitir calor para os cereais secarem;
  • Segue-se o processo de Milling, onde são moídos no moinho de água;
  • Passa para o processo de Mashing, onde é adicionada água quente aos cereais moídos;
  • A Fermentation é o processo que se segue: a mistura anterior fica durante 3 dias a fermentar ;
  • Depois disso é feita o processo da Destilation, passando em três alambiques, sofrendo, portanto, o processo de destilação três vezes, característica do whiskey irlandês;
  • No processo de Maturation é colocado em cascos já usados como os nossos do Vinho do Porto, Barris de Sherry e Bourbon e aí fica durante o tempo que for necessário, dependendo do tipo de whiskey que se pretende obter.









Seguiu-se a prova do wiskey. Eu passei essa parte: estava de barriga vazia e nem gosto de wiskey, portanto, dediquei-me à reportagem fotográfica. Almoçámos na destilaria, adivinhem, frango com puré, pois claro! De tarde, voltámos a Cork e tivemos a tarde livre para passear por Cork a pé.





terça-feira, 13 de julho de 2010

Irlanda #4 - 8 de Junho

Partimos para Burren cedinho, que faz parte dos 100 quilómetros quadrados do Burren National Park, a sul de Galway. É um dos locais da Irlanda com mais vestígios arqueológicos, antas e locais que se pensam ter sido de culto. Foi uma das primeiras zonas a ser colonizadas quando chegaram os  colonizadores vindos da Escócia. Acredita-se que haveria uma língua de terra que ligava esta zona à Escócia. Os nómadas viviam da caça e da pesca. A erosão da zona dá-se por questões climáticas pois está muito próximo do mar. Neste parque existem martas, arminhos e raposas. Na costa também existem muitas focas. Há uma vasta flora de zona mediterrânica e alpina. 28 das 22 espécies catalogadas de borboletas na Irlanda, existem neste parque.

Passámos em Killenora, uma pequena terra católica, que tem como chefe da diocese, imagine-se, o Papa. No século XVIII, como não havia um acordo entre a população e o bispo nomeado, a Sé decidiu que o Papa seria o chefe da diocese e ainda hoje se mantém.

Passámos também em Lisdoonvarna, que tem em Setembro um festival para se arranjarem casamentos. Vejam-me só o desespero... Tem uma estância termal que foi muito procurada pela burguesia até ao século XIX. Tem inclusive um bar muito interessante, o "The Matchmaker Bar", que tem o mesmo propósito do festival.


Chegámos finalmente aos Rochedos de Moher, um dos postais de promoção da Irlanda. Têm 230m de altura (com o mar lá em baixo) e estendem-se por 8km. São formados por longas placas de calcário e existem mais de 30 espécies de aves a viver nas fissuras da falésia. Quando o tempo está completamente limpo consegue-se ver o arquipélago das ilhas Callagan, mas não tivemos sorte e estava um pouco enublado. Os corvos são animais que estão muito presentes na Irlanda e aqui tivemos a oportunidade de ver um corvo imponente de muito perto.



A descer dos ditos rochedos conseguimos avistar a baía de Liscannor. Nos séculos XVII e XVIII esta zona era muito visitada pelos barcos portugueses e espanhóis que vinham negociar. É um local de peregrinação dos Irlandeses. A vila tem ligações à pesca e é a terra natal do inventor de submarinos John Holland, onde existe uma estátua em sua honra.

Os primeiros nómadas chegaram à Irlanda 600 a.C. e começaram a construir as primeiras aldeias. Rodeavam-nas de muralhas e iam construindo torres de observação. Os celtas, 10 séculos antes, eram individualistas e viviam em pequenos grupos e eram muito conflituosos entre eles. Devido a essa instabilidade, a ilha foi dividida em 4 e havia um rei que controlava as tribos. O São Patrício chega em meados do século IV para evangelizar esta zona da Irlanda.

A cidade de Lahinch, onde passámos de seguida, tem dois dos melhores campos de golfe da Irlanda, chega mesmo a haver naqueles campos importantes campeonatos.

Passámos também por Ennis, a cidade que homenageou Daniel O'Connel (importante líder nacionalista irlandês), apesar de não ter sido ali que nasceu.  O'Connel foi responsável por devolver aos católicos muitos dos seus direitos  como o direito de voto. Já no início do século XIX foi um dos primeiros homens que teve a coragem de lutar contra o domínio inglês na ilha.

À tarde fomos para Bunratti, local onde está um castelo de 1425 que pertencia à família O'Brian. Junto da zona onde está o castelo foi criado um museu folclórico que mostra o que seria a zona do vale do Shannon no século XIX. O castelo tem 4 torres em cada um dos lados. A grande parte da população que aqui vivia no século XIX viva da pesca e da agricultura, eram gente simples com casas ainda mais simples, que foram recriadas naquela aldeia, havendo ainda uma original. Almoçámos num restaurante da aldeia e visitámos a antiga escola, aquela que foi a casa do médico, o espaço dos moinhos de água, entre outros.























De seguida, parámos em Limerick, a 4ª maior cidade da República da Irlanda em termos de população, tem 56 mil habitantes. Tem um castelo normando, construído pelo D.João com torres redondas (do tempo do Robin dos Bosques) que fazia parte da linha de defesa da cidade. Foi uma cidade muito importante no tempo dos normandos que chegaram à Irlanda no século XII e começaram a misturar-se com a população. Os normandos chegaram depois dos vickings que também colonizaram esta parte da Europa. Os vickings chegaram em 797 d.C. vindos da actual Noruega. Antes dos vickings já lá tinham estado os celtas, que iam sempre para os extremos da Europa. Esta é uma cidade portuária. A Irlanda não tem indústria pesada. Quando entrou na União Europeia, deixou de ser só agrícola e começou-se a desenvolver com o que vinha da UE. Há indústrias farmacêuticas que se estabelecem na Irlanda (Cork e Dublin) pelos benefícios fiscais.

Continuámos viagem para Cork, a segunda cidade mais importante da República da Irlanda, com 120 mil habitantes, é mais pequena que a capital e existe algum bairrismo entre Cork e Dublin. Cork significa cortiça ou sobreiro, mas neste caso quer dizer pântano em gaélico. Visitámos a North Cathedral, uma catedral católica, e a igreja barroca do século XVIII. Na cúpula tem a representação de um salmão. O rio que atravessa a cidade é o rio Lee e é em Cork que está situada a fábrica da Heineken que apesar de não ser irlandesa, tem ali a sua produção. Cork foi, em tempos, um importante centro de produção de manteiga. O centro da cidade está numa ilha, limitado pelos braços do rio Lee. Se repararmos, notamos que o tijolo das casas é diferente porque os barcos saíam dali carregados de manteiga e quando voltavam traziam tijolo de diferentes países. A rua principal é a St. Patrick's Street, onde estão as melhores lojas de Cork. Há nessa rua uma estátua do Padre Mathew que teve um papel muito importante no período da Grande Fome. Esta rua chegou a ser um canal que ligava o Canal Norte e o Canal Sul. A Catedral de Cork tem o nome do padroeiro, St. Finnbar. Na margem sul está a Catedral Anglicana e a igreja da Trindade.



Nessa noite ficámos no Hotel Imperial South Mall numa rua paralela à St. Patrick's Street.

domingo, 11 de julho de 2010

Irlanda #3 - 7 de Junho

Este foi o dia em que acordámos mais cedinho, 6h30 da manhã. Mas que é que no seu perfeito juízo, de férias, se levanta a estas horas? Só mesmo nós, que as férias duram pouco e é de manhã que se começa o dia por isso há que aproveitar os minutinhos todos.

Saímos de Sligo às 8h, e o nosso destino final era Gallway. Viajámos por entre vales e montanhas, e o cenário é sempre o mesmo: tudo muito verde, muitas ovelhas nos campos e uma sensação de paz constante.

Passámos em Westport, cidade do Condado de Mayo com 6 mil de habitantes. Esta cidade tem um centro histórico em estilo georgiano que foi desenhado e planeado por dois arquitectos, sendo um deles James Wyatt. A cidade está muito próxima da costa, a cerca de 3km. A rua principal é a Bridge Street que termina numa praça chamada Octogon. 

De seguida fomos visitar o único fiorde (grande entrada de mar cercada de altas montanhas rochosas) que existe na Irlanda. Avistámo-lo de uma pequena aldeia, Leenane.



Dirigimo-nos para Kylemore, para visitar a Abadia de Kylemore. Esta é uma Abadia de finais do século XIX que é agora um Colégio interno para raparigas.  A Abadia de Kylemore é um mosteiro beneditino fundado em 1920 nos terrenos do castelo de Kylemore, em Connemara, no Condado de Galway. O mosteiro foi fundado pelas religiosas beneditinas que fugiram da Bélgica devido à Guerra. O castelo foi construído entre 1867 e 1871 como residência privada para a família de Henry Mitchel. Após a morte da sua esposa Margaret em 1875, Henry mergulha numa tristeza profunda e em 1903 vende a propriedade a um duque de Manchester e à sua duquesa, uns boémios que tinham como ocupação gastar a fortuna do sogro do duque que entretanto faleceu. Em 1914 há outra pessoa que compra a propriedade e a vende em 1929 às religiosas. Henry e Margaret estão ambos enterrados no mausoléu perto da pequena igreja, nos terrenos da abadia.

Nos terrenos da abadia existe um jardim vitoriano do século XIX, murado, de inspiração inglesa. Uma das paredes é em calcário para proteger o jardim dos ventos mais frios, todas as outras são de tijolo. No século XIX estes jardins estavam na moda, devido ao clima das ilhas britânicas. Tem uma parte de cultivo de flores que é o que está à vista quando se entra no jardim, tem uma zona de estufas onde ainda hoje existem reuínas das antigas estufas. Há também uma zona de cultivo de vegetais que são comidos na propriedade. São 6 hectares de jardim.





Relativamente à casa, no hall de entrada as paredes estão forradas a madeira de carvalho, a mando dos duques de Manchester. Existe a sala de desenho virada para o lago, a morning room onde estão expostas peças das religiosas e existe a sala de jantar.


Há ainda uma pequena igreja neo-gótica que foi totalmente reconstruída e o mausoléu onde está sepultado o casal Henry. As freiras decidiram encerrar a escola no final deste ano lectivo, mas não têm intenção de vender o imóvel, uma vez que continuarão a viver lá.

Depois desta visita ha uma enorme loja de recordações onde fizémos as primeiras compras.

Seguimos viagem a caminho de Clifden, onde almoçámos. É uma cidade com 2 mil habitantes e é a capital do condado de Connemara. Por ela passa um rio que desagua no Atlântico. No Verão é uma cidade movimentada.

Depois de almoço passámos por uma pequena localidade próxima de Galway famosa pelas indústrias do vidro. É uma das poucas zonas da Irlanda onde existe mármore. Já não se fazem grandes construções com mármore, a última grande obra com este material foi a Catedral de Galway. Agora serve apenas para pequenas peças decorativas.


Chegámos então a Galway, sede do condado com o mesmo nome, a 3ª cidade mais importante a nível de população depois de Dublin e Cork. Tem 70 mil habitantes. Tem uma Universidade criada em meados do século passado e é uma das mais importantes do país. Esta cidade foi apelidada de "Cidade das Tribos" e é famosa pela animação na margem do rio, rio esse que nasce no Lago Corrib, o maior da Irlanda.

A principal praça de Galway é a Eiresquare. Quando John Kennedy veio à Irlanda, a praça mudou de nome para Kennedy Park. Da praça sai a Shop Street, uma rua pedonal cheia de lojas e bares.


O apelido de "Cidade das Tribos" vem de uma história muito engraçada. Nos finais do século XIV, Ricardo II (tio de Filipa de Lencastre que casou com o nosso D.João I), nomeou 14 famílias, tribos, para serem responsáveis pela gestão da cidade. Isso manteve-se até ao século XVII, com a chegada de Oliver Cromwell (militar e político britânico), que atacou a cidade e destruiu muitos edifícios da cidade. A cidade chegou a estar muralhada mas foi destruída nesse ataque.

Podemos ainda ver o Arco Espanhol, em Galway, que tem este nome porque ao longo de muitos séculos os espanhóis vinham a Galway negociar e esse arco faz parte das ruínas de então.

Perto de Galway existe uma antiga aldeia de pescadores que é agora um bairro residencial. As famílias usavam os seus bordados nas roupas para quando iam para o mar identificarem corpos que davam à costa depois de naufrágios.

Nessa noite ficámos em Galway, no Hotel Meyrick situado na praça principal de Galway.

Uma curiosidade que nos foi dita pelo guia: o feriado nacional da República da Irlanda é 17 de Março, St. Patrick's Day. Todos os feriados religiosos são fixos, todos os outros espalham-se por diversas segundas-feiras.