sábado, 7 de agosto de 2010

Irlanda #6 - 10 de Junho

Ao 6º dia deixámos Cork e tínhamos como objectivo chegar a Kilkenny - capital medieval da Irlanda que esteve muitos anos nas mãos da família Butler.
A auto-estrada entre Cork e Dublin foi terminada apenas há ano e meio e é a única estrada decente que se pode comparar às nossas estradas.

Pelo caminho aprendemos ainda alguma coisa sobre a política da Irlanda: o actual Primeiro Ministro, Brian Cohen, está no poder há cerca de 2 anos. De 5 em 5 anos escolhe-se novo Primeiro Ministro. O Presidente da República, também ele eleito, escolhe de 7 em 7 anos mas se o Parlamento o aprovar pode ser eleito por mais um mandado. O presidente da República mais famoso foi Éamonn de Valera que teve um papel importante na invasão inglesa, participou activamente na independência, cuja leitura de proclamação de independência foi feita no GPO em Dublin (General Post Office). Foi uma tentativa de golpe militar mas foi o primeiro passo para a autonomia da República da Irlanda. O Tratado Anglo-Irlandês marca o início da independência irlandesa, assinou-se em Londres a 6 de Dezembro de 1921. Entre os signatários que representavam o Governo Britânico estava David Lloyd George, chefe da delegação, enquanto a delegação da República Irlandesa estava representada por Michael Collins e Arthur Griffith. Esse tratado permitia ainda uma influência inglesa na política interna.
Em 1922-23 instala-se uma guerra civil. O Governo Britânico altera a pena de De Valera para prisão perpétua em vez de condenado à morte como os outros porque ele nasceu americano e isso criava desconforto entre o Reino Unido e os EUA.
Em 1932, o primeiro Governo livre da Irlanda é fundado por De Valera.
Apesar de a Irlanda ter alguma neutralidade, na 2ª Guerra Mundial, devido à proximidade com o Reino Unido, De Valera perde o poder e andou a ser eleito e a perder uma série de vezes.
A Irlanda é uma nação antiga, no entanto é um país independente recente.
O salário mínimo para trabalhos menos especializados é de 8.65€/hora. O valor é estipulado em função das horas porque há muita gente que não tem horário completo. Se tiverem o horário completo, fica em mais de 1300 euros por mês.

A caminho passámos pelo Castelo de Cahir que vimos apenas do exterior.


Kilkenny é a cidade capital do condado com o mesmo nome, com cerca de 10000 habitantes. Foi fundada no século VII quando St. Kenny chega e constrói uma igreja de madeira que, no século XI, foi reduzida a cinzas num incêndio. A actual catedral, St. Canices Cathedral, edifício gótico, foi construída entre 1202 e 1285. Está num ponto alto da cidade. À volta da catedral está o cemitério e uma torre de 30m de altura, construída entre o século VIII e X. Ao longo do século XIV, a torre caiu e houve uma senhora acusada de bruxaria, Alice Kytler, que fugiu para Londres para não ser condenada.



No século XVII a cidade apoia os ingleses católicos e Cromwell veio causar estragos na cidade quando a cercou por estar sob controlo de católicos.

Há duas catedrais, uma católica e uma anglicana. A Catedral anglicana, aquela que visitámos, tem a forma da cruz latina, tem 3 naves e 2 transeptos. A cruz latina tem os braços mais pequenos que o comprimento do corpo da cruz, enquanto que a cruz católica tem os braços iguais ao comprimento do corpo da cruz.
Visitámos ainda a Black Abbey, que é católica.



Depois das Catedrais, visitámos o Castelo e os seus jardins a perder de vista. O castelo tem um jardim francês à frente, isto é, tem uma fonte ao centro e os canteiros estão dispostos quase de forma geométrica.





Almoçámos em Kikenny num hotel à beira do rio com vista para o castelo, na foto acima, e depois seguimos viagem para Dublin, a última cidade desta viagem.

Dublin é a capital e a maior cidade da República da Irlanda. O rio Liffey divide Dublin em duas partes e desagua no mar da Irlanda. A O'Connel Bridge faz a ligação das duas margens e, seguindo pela ponte, para um dos lados, fica a O'Connel Street, rua onde ficava o nosso hotel. O nome da cidade está ligado a uma palavra de origem gaélica que significa "águas escuras".

Os celtas instalaram-se nesta região no ano 500 a.C. e viveram pacificamente até chegarem os vickings. Na época dos normandos foi considerada uma cidade importante, foi nessa altura que se fez o Castelo. Foi a partir do século XVII, com a "plantation" que a cidade começa a sofrer ataques porque era maioritariamente católica e chegam os escoceses e os ingleses. Os católicos são afastados do centro da cidade e passam a viver na periferia.

No século XIX, no período da Grande Fome, começa a renascer o espírito de mandarem na própria casa, isto é, na Irlanda.

É em Dublin que, em 1916, com a revolta do Domingo de Páscoa, pela primeira vez é proclamada a independência da Irlanda - movimento militar organizado pelo IRA. Essa revolta acaba num fracasso porque muitos dos que participaram foram apanhados pelos ingleses e condenados à morte.

Dublin tem 1 milhão e 400 mil habitantes, a contar com a zona metropolitana.

Assim que chegámos a Dublin fomos visitar o Phoenix Park , o maior parque urbano de toda a Europa, com 712 hectares, 5 vezes maior que o Hyde Park de Londres e até maior que o Central Park de Nova Iorque. No Phoenix Park habita uma família de animais semelhantes aos veados (gamos) que andam à solta pelo parque. Visitámos o Obelisco de Wellington, com 62m de altura, sendo o segundo mais alto depois do de Washington, que fica dentro do parque e que é um monumento de homenagem ao Duque de Wellington. No parque existem castanheiros das índias e plátanos. Foi projectado no século XVII para colocar 500 veados para a nobreza inglesa vir caçar. Existe ainda um Zoológico dentro do parque.


No interior do parque está situada a residência oficial do Presidente da República. O parque não tem portões mas tem lá os apoios dos portões que foram guardados numa conferência e ninguém sabe onde. Também a residência do embaixador dos EUA fica dentro do parque.


Existe uma cruz papal no parque que mede 27m de altura que marca o local onde João Paulo II celebrou a missa em 1972 que reuniu 1200000 pessoas.

Ao sábado são distribuídos 525 bilhetes para a visita ao interior da residência oficial do Presidente da República, que neste caso é uma senhora, Mary McAleese, eleita em 1998 que já vai no 2ºmandato.

No parque há ainda campos onde se jogam jogos tradicionais como hóquei irlandês, desporto que a partir de 2010 tem como obrigatório o uso de capacete. O futebol gaélico usa uma bola como a de voleibol mas mais pesada e em algumas situações pode-se jogar com as mãos. Há também um campo de pólo.

O People's Garden é o único sítio do parque onde são plantadas flores.

Seguimos para a visita panorâmica pela cidade, passámos na Heuston Station - a maior estação de Dublin, de onde saem comboios para as cidades da Irlanda. Dublin tem ainda um metro de superfície. Passámos ao lado de Temple Bar, o bairro onde estão situados os pubs da cidade. Passámos pelo Trinity College, criado pela Rainha de Inglaterra para receber estudantes protestantes. Na O'Connel Street existe uma agulha de 120m de altura cujos últimos 9m tem aço perfurado para oscilar e que é um projecto de vários países: Irlanda, Alemanha, França e Escócia. Ficámos no Hotel Gresham, um edifício georgiano mesmo na O'Connel Street.





À noite, depois de jantar, fomos para Temple Bar, o bairro dos pubs. Cada porta da rua é a porta de um pub. O espírito irlandês é de festa, copos e alegria. Foi assim que encontrámos a zona, com muita animação. Os pubs têm praticamente todos música ao vivo e as pessoas lá parecem gostar disso. Acompanham sempre os músicos que estão a cantar, brindam às músicas, cantam, gritam e divertem-se sempre com um fino dos grandes à frente. Nessa noite apaixonei-me por Dublin.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Uma escolha difícil




De um lado o lugar onde cresci, do outro um lugar pelo qual me apaixonei.
De um lado amigos, colegas e conhecidos em cada esquina, do outro pessoas novas para descobrir.
De um lado o mar incerto, o tempo esquisito e até algum vento, do outro um mar mais tranquilo, sol e calor.
De um lado o coração apertado por ver o barco nas águas agitadas, do outro ver chegar pequenas embarcações no mar tranquilo.
De um lado sentir-me em casa, do outro a descoberta.
De um lado uma casa de herança, do outro o desejo de ter uma casa minha lá.
É-me difícil, por natureza, fazer escolhas. Assim não escolho, vou para os dois sítios.


Fonte: aqui e aqui

Friday friday


Finalmente é sexta-feira e esta é especial, já quase que sabe a férias!

Fonte: weheartit

Não esquecer #57


Fonte: weheartit

Não esquecer #56


Fonte: I can read

CD #8 - Ana Moura - Leva-me aos fados


O CD deste mês é de fado. Gosto muito de fado, gosto das novas vozes do fado e gosto das antigas vozes do fado. Este género musical tão nosso está a ser renovado pela nossa geração, está a cativar mais pessoas e Ana Moura é uma dessas vozes que dá gosto ouvir. Andava a pensar em adquirir este novo álbum dela já desde que saiu e agora foi a altura de dar aqui destaque a esta voz que nos encanta e que já teve o previlégio de partilhar o palco com o grande Prince.
Partilho aqui o single de lançamento do álbum.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Irlanda #5 - 9 de Junho

Este foi o dia em que andámos só na zona de Cork, pela primeira vez dormimos duas noites seguidas no mesmo hotel!

De manhã, pela fresca, visitámos o mercado inglês (era aqui que estavam as pernas do frango que nos serviam a refeição porque os senhores só nos davam peito de frango).



Andámos a pé no centro de Cork, com aquela chuvinha boa, e fomos à Crawford Art Gallery (mais uma vez me apercebi que não percebo nada de arte).



Dirigimo-nos então para Middleton, uma localidade a pouco mais de 20km de Cork para visitarmos a casa mãe da Jameson, uma das mais importantes destilarias de whiskey. É a destilaria mais antiga, funcionou mais de 150 anos, até 1975. O whiskey irlandês escreve-se com 'e' antes do 'y' ao contrário do whisky escocês que não leva o 'e'. Isto deve-se ao número de vezes que o wiskey é destilado na Irlanda (3 vezes) e na Escócia (2 vezes). O whiskey irlandês é menos conhecido que o escocês porque em tempos houve um boicote à sua produção. No whiskey irlandês usa-se cevada malteada e água. As destilarias compravam a cevada aos agricultores que a traziam para a destilaria. A cevada malteada é a cevada germinada, mergulhada em água 4 dias e depois metida numas placas para secar e depois era armazenada. Secava naturalmente na Irlanda. Os escoceses forçavam a secagem, o que faz com que o whisky escocês tenha um trago mais fumado que o irlandês. Na destilaria, depois da visita, foram escolhidas seis pessoas do grupo para fazer a prova do whiskey. Nem tentei candidatar-me, o whiskey não está na lista de coisas que gosto de beber.

O processo de se fazer o whiskey é muito interessante, vamos lá ver se não me esqueço nenhuma passo:
  • Antes de mais, é importante falar nos ingredientes: cevada e água;
  • Os agricultores vinham do campo carregados de cereais que descarregavam no pátio da Destilaria;
  • Os cereais eram guardados em sacos de 50Kg no "Grain House", um local com vários andares para rentabilizar o espaço;
  • Passava-se ao processo de Malting, onde os cereais estavam espalhados numa espécie de celeiro que tinham um forno por baixo para emitir calor para os cereais secarem;
  • Segue-se o processo de Milling, onde são moídos no moinho de água;
  • Passa para o processo de Mashing, onde é adicionada água quente aos cereais moídos;
  • A Fermentation é o processo que se segue: a mistura anterior fica durante 3 dias a fermentar ;
  • Depois disso é feita o processo da Destilation, passando em três alambiques, sofrendo, portanto, o processo de destilação três vezes, característica do whiskey irlandês;
  • No processo de Maturation é colocado em cascos já usados como os nossos do Vinho do Porto, Barris de Sherry e Bourbon e aí fica durante o tempo que for necessário, dependendo do tipo de whiskey que se pretende obter.









Seguiu-se a prova do wiskey. Eu passei essa parte: estava de barriga vazia e nem gosto de wiskey, portanto, dediquei-me à reportagem fotográfica. Almoçámos na destilaria, adivinhem, frango com puré, pois claro! De tarde, voltámos a Cork e tivemos a tarde livre para passear por Cork a pé.





The Road


"The Road" foi a escolha para a noite de ontem. Só entende e gosta do filme quem estiver realmente predisposto a isso. Não é um filme comum, é realmente diferente do que costumo ver apenas comparável ao "Book of Eli". O cenário é de destruição total, as pessoas que ainda restam vagueiam na esperança de encontrar comida. Um pai segue, com o seu filho, para sul tal como a sua esposa lhe disse antes de sair de casa e não mais voltar. Pelo caminho sofrem assaltos e precisam de fazer de tudo para sobreviver, mostra-se o que um humano é capaz em situações de desespero. Este filme mostra-nos o melhor e o pior dos Homens. É um drama muito intenso que requer algum sangue frio, que nos faz reflectir sobre os nossos valores e a nossa natureza.

Adaptação ao cinema do best-seller e vencedor do Pulitzer de Cormac MacCarthy. Um conto épico, pós apocalíptico, de sobrevivência de um pai e do seu filho pequeno à medida que eles atravessam uma América árida, destruída por um misterioso cataclismo. «A Estrada» imagina um futuro no qual os homens são empurrados para o pior e o melhor de que são capazes – um futuro onde o pai e o seu filho são sustentados pelo amor que os une.


Fonte:cinema.sapo.pt

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"O que há em mim é sobretudo cansaço"



O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

                      Álvaro de Campos

Did you hear about the Morgans?


O casal Morgan está separado depois de uma traição por parte de Paul (Hugh Grant). Meryl (Sarah Jessica Parker) recusa a reconciliação e quando aceita jantar com ele, a sós, assistem a um homicídio e são forçados pelo Governo a sair de Nova Iorque e a instalarem-se com identidades falsas no campo.
Hugh Grant faz uma boa interpretação, as piadas que vai mandando ao longo do filme protagonizam algumas das maiores gargalhadas. A Sarah Jessica Parker está igual a si mesma, nada de especial. É um bom filme para esvaziar o cérebro, não pensar em mais nada e rir.

Paul Morgan quer salvar o seu casamento. A sua mulher, Meryl, recusou todas as tentativas de reavivar a relação e o casal parece condenado, até uma noite em que testemunharam um homicídio. Os Morgans são forçados pelo Governo a mudarem as suas identidades e a serem protegidos juntos, fugindo de Manhattan, rumo às populações rurais fora da cidade. Quando Paul pensava que não tinha mais opções, esta situação pode ser a última oportunidade de manter o seu relacionamento.


Fonte:cinema.sapo.pt

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Selo Super

A Xana ofereceu-me um selo dos blogs, diz ela que o meu blog é super, será? Pelo sim pelo não, vou aceitar o desafio que ela me propôs e responder a umas perguntinhas.

- Se pudessem escolher UM super-poder  qual escolheriam?
- O super-poder de fazer viagens no tempo e no espaço.

- Usavam-no para quê?
- No tempo para voltar ao passado e voltar a ver as pessoas que já perdi, no espaço para me tele-transportar para lugares paradisíacos quando tudo aqui à volta tem pouca cor.

- Acham que davam um melhor super-herói ou super-vilão?
- Um super-herói, naturalmente, sempre fui muito dedicada às causas! :)

E agora passo este desafio aos seguintes bloggers:

Não esquecer #55


Fonte: I can read