12 de Maio será para sempre a data mais marcante no meu calendário, foi o dia em que veio ao mundo a princesa que cresceu dentro de mim durante 39 semanas.
À medida que se aproximava a data prevista do parto e se confirmava que a Leonor estava em posição pélvica (de cabeça para cima) ia-me mentalizando para que ela nascesse de cesariana. A cesariana foi marcada para dia 12 de Maio de manhã, pelo que a obstetra me mandou ir para a Maternidade para me internar na véspera ao fim da tarde, domingo. Ainda passei o fim de semana em casa dos pais, mas no domingo cheguei a casa, peguei nas malas (a minha e a da Leonor), passei pelo café para comer um gelado e "despedir-me" dos amigos e lá fui ver se me internava no lugar que iria ser a nossa casa durante uns dias.
Passei a cerca de hora e meia que durou a cesariana na expectativa, a falar com a anestesista e com as enfermeiras, todas detentoras de uma simpatia fora de série, enquanto a minha obstetra fazia o que de melhor sabe: fez nascer a minha criança.
A Leonor nasceu cheia de saúde (o índice de Apgar confirmou, 9 e 10), 3,400Kg de gente, 47 cm de amor puro, linda como uma flor e cheia de vida.
Assim que ma tiraram da barriga vi-lhe um bracinho e a cabeça, depois levaram-na para observar e vestir. Daí a pouco colocaram-na junto à minha cara para nos conhecermos uma à outra e ali estivémos durante um tempo que não consigo contabilizar a estabelecer uma ligação diferente daquela que tínhamos, agora com ela do lado de fora, o nosso primeiro momento a duas.
Durante esse primeiro dia não me pude mexer, estive sempre deitada e o pai encarregou-se de tratar da Leonor, desde mudar fraldas a metê-la junto a mim para mamar, ou segurá-la ao colo se ela chorava. É difícil lembrar-me dos pormenores desse primeiro dia, foram muitas emoções juntas para gerir, aprender a conhecer a minha menina e ela a mim, processar tudo enquanto o meu corpo ainda reagia à recente operação e ao efeito da anestesia.
Nesse dia soube que nunca mais o meu coração iria estar tranquilo porque o meu coração estava ali, fora do meu corpo. Ser mãe não se explica, sente-se.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
The Frozen Ground
A história deste filme é baseada em factos verídicos e apresenta-nos Robert Hansen (John Cusack), um serial killers que matou 24 mulheres ao longo de 12 anos sem que ninguém suspeitasse dele. Ninguém acredita que Bob, um cidadão exemplar, homem de família, possa ter cometido crimes tão horrendos. No entanto, Jack Halcombe (Nicolas Cage) está determinado em apanhar o serial killer com a ajuda de Cindy Paulson (Vanessa Hudgens), a prostituta que escapou ao destino traçado pelo monstro.
Com interpretações medianas, destaca-se Cusack no papel do assassino. Ainda assim é um thriller bastante leve e que poderia ter sido mais explorado.
Quando Cindy Paulson, uma prostituta adolescente, é encontrada pela polícia local num quarto de hotel no Alasca – espancada e a implorar pela própria vida –, toda a gente ignora os fatos e a sua versão de acontecimentos. No entanto, o Sargento Jack Halcombe, rapidamente chega à conclusão que Cindy é a única vítima sobrevivente de um assassino em série local, responsável por um grande número de mortes de jovens mulheres na última década. Sem o apoio do seu próprio departamento, Halcombe precisa encontrar Cindy, conquistar a sua confiança e formar uma parceria improvável de forma a localizar o homem que ainda a quer matar.Fonte: cinema.sapo.pt
The Frozen Ground no IMDB.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
The Numbers Station
Emerson Kent (John Cusack) é um ex-agente da CIA cuja função actual é proteger uma operadora de códigos, Katherine (Malin Akerman), quando terroristas levam a cabo um ataque organizado que ameaça as vidas de Emerson e Katherine e colocam em causa a segurança do centro de comunicações.
Tendo apenas como cenário a base de operações, é um filme simples, sem grandes efeitos ou complicações, fácil de assistir.
Emerson Kent é um agente especial caído em desgraça, destacado para uma tarefa aparentemente insignificante: acompanhar Katherine, uma especialista em códigos, até uma isolada e clandestina estação de transmissão da CIA e velar pela sua segurança . Mas quando a estação é invadida por agentes inimigos, Kent rapidamente descobre que a única forma de concluir essa tarefa poderá implicar que Katherine não seja capturada viva.Fonte: cinema.sapo.pt
We're the Millers
David Clark (Jason Sudeikis) é um reles traficante local já com idade para ter juízo que se vê assaltado por um grupo de adolescentes e fica, portanto, em muito maus lençóis perante o seu "superior". Para dar a volta à situação pensa num plano que inclui viajar para o México para traficar droga para os EUA fazendo-se passar por chefe de família, com uma família falsa, os Millers. Naturalmente que este plano tinha tudo para correr mal.
este filme é a típica comédia americana de domingo à tarde, cheia de estereótipos, previsível mas que cumpre o objectivo, isto é, diverte quem assiste ao filme.
David Burke é um pequeno traficante de droga, cuja clientela inclui patrões e mães de família, mas não crianças – afinal de contas, ele tem escrúpulos. Então o que pode correr mal? Muita coisa. Pelos motivos óbvios tenta manter-se discreto mas aprende da maneira mais difícil que nenhuma boa ação fica impune quando tenta ajudar alguns adolescentes e acaba por ser atacado por um trio de punks. Ao roubarem a sua droga e o seu dinheiro, deixam-no com uma grande dívida ao seu fornecedor, Brad. De forma a dar a volta à situação, David tem agora de tornar-se num grande traficante e trazer uma mercadoria do México para Brad. Com a ajuda dos seus vizinhos, a stripper cínica Rose, o potencial cliente Kenny e a adolescente com tatuagens e piercings Casey, David elabora um plano infalível. Uma esposa e dois filhos falsos e uma enorme autocaravana. Depois, os "Millers" seguem para o sul da fronteira para um fim de semana de 4 de Julho que certamente acabará mal.Fonte: cinema.sapo.pt
We're the Millers no IMDB.
Ser português é...
Ser português é, entre tantas coisas, estas que alguém escreveu. Posso não concordar inteiramente com tudo, posso até querer acrescentar outras tantas, ainda assim aqui está um bom resumo daquilo que é ser português.
Podemos não ter a organização dos Suíços, o rigor dos alemães, a limpeza dos austríacos, a pontualidade dos britânicos, a meticulosidade dos franceses, o orgulho dos espanhóis ou a riqueza dos escandinavos, mas que somos um povo muito mais simpático e caloroso que esta cambada toda disso não tenho dúvidas. E ser português é isso. Ser português é ser muita coisa.
Ser português é pedir um ramo de salsa ao vizinho e ficar lá meia hora a conversar. Ser português é falar alto na rua e nos restaurantes sem notar. Ser Português é ter o melhor jogador de futebol do mundo e não gostar muito dele até vir alguém de fora criticar. Ser português é ter na guelra o sangue quente arrefecido por uma ditadura. Ser português é ter poesia de revolução e fazê-la sem violência e de cravo na mão. Ser português é comer chouriço assado na lareira com mais prazer do que ir ao restaurante gourmet. Ser português é revoltarmo-nos quando nos dizem que o limite passa de 0,5 para 0,2, porque ser português é beber vinho, cerveja e agua-ardente.
Ser português é ter orgulho em sê-lo mesmo quando se diz o contrário. É ir lá fora e falar de fado, da comida, da praia, de tudo o que nos orgulhamos quando temos saudades. Ser português é ter saudades. É ter saudades do sol, das sopas da avo, dos cafés e cigarros na esplanada com os amigos. Ser português é ter saudades e não esquecer.É ser nostálgico mas ter amnésia selectiva de 4 em 4 anos e queixar-se que está tudo na mesma.
Ser português é desenrascar. É encontrar caminho sem perguntar. Ser português é pedir indicações e ter logo a ajuda de vários estranhos. Ser português é tentar a borla seja do que for. Ser português é oferecer só porque se simpatizou com alguém. Ser português é ter os melhores lá fora porque é lá fora que se faz o melhor. Ser português é ter o mar no horizonte e nunca olhar para terra, é seguir em frente até o mar acabar, é descobrir, sonhar e inventar. Ser português é conquistar, é dar porrada na mãe, é dizer não e expulsar os mouros e os espanhóis. Ser português é esquecer. Ser português é o vídeo da Bernardina ter mais de 3 milhões de visualizações e a maioria não ter gostado. Ser português é toda a gente ver a casa dos segredos em segredo. Ser português é achar que ser advogado ou doutor é melhor do que ser pasteleiro ou agricultor mas gostar mais de bolos e batatas do que tribunais e hospitais.
Ser português é dizer bom dia ao vizinho, é dizer bom dia no café, é dizer olá como está ao carteiro, é dizer bem obrigado no elevador. Ser português é dizer vai-se andando, para a frente, nunca para trás. Ser português é ser pessimista quando as coisas estão boas mas optimista quando estão más. Ser português é ser-se humano e por isso ser-se incoerente. É ter poetas nas gentes, é ter Antónios Aleixos semi-analfabetos mas que sabem mais que doutores. É ter bêbedos e drogados no génio de Pessoa. É tudo valer a pena porque a nossa alma não é pequena. Ser português é ter a alma grande mas não ter dinheiro para a manter. Ser português é pedir crédito para o plasma e LCD, para as férias no Brasil e depois ficar sem comer. Ser português é acreditar em tudo o que passa na TV. Ser português é duvidar de tudo o que se lê.
Ser português é ser de brandos e bons costumes até ver. Ser português é andar à porrada por causa de futebol ou lugares de estacionamento. Ser português é acelerar e ficar chateado se se é multado. Ser português é saber as leis e saber que podem ser ignoradas. Ser português é eleger sempre os mesmos filhos da puta. Ser português é ser revoltado. Ser português é esquecer a semana no sábado e sofrer por antecedência no domingo. Ser português é chegar ao trabalho na segunda e falar da bola. Ser português é ser descarado. É dizer à gaja boa do trabalho que temos que ir beber um copo a qualquer lado. Ser português é seduzir sem medo do resultado. É ter lata de cerveja na mão e na outra contar os trocos para mais uma rodada.
Ser português é sentir orgulho na garganta mesmo com a pressão do nó de forca que nos traçaram. Ser português é apertar o cinto mas andar de rego à mostra.Ser português é dizer mal mas ai de quem diga mal e não seja português. Ser português é não ser patriótico mas sentir os olhos aguados ao ouvir o hino. É dizer que é o mais bonito de todos. É meter uma bandeira na janela e deixar a porta aberta a quem quiser entrar. Ser português é gritar com a selecção mesmo sem nunca se ter ganho nada, só pelo orgulho de se ser de Portugal.
Ser português é escrever este texto à pressa porque estão à minha espera em algum lado. Ser português é chegar atrasado mas de peito levantado.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
domingo, 1 de junho de 2014
sábado, 31 de maio de 2014
sexta-feira, 30 de maio de 2014
quinta-feira, 8 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
Aventuras de balcão
O atendimento ao público é uma coisa que nem toda a gente está efectivamente habilitada para fazer. Hoje foi dia de ida à Maternidade ver o estado da situação, a ver se o nascimento estava para perto ou se ainda dava para ir a umas festas de aniversário e uns almoços de família agora no início de Maio.
Chego ao balcão da Urgência (sim, foi lá que fui para ver como param as modas dentro da minha barriga) assim cedo pela fresca, 8h30 da manhã, e ninguém para me atender. Só estava um senhor na sala de espera, provavelmente à espera da sua grávida que estaria a ser atendida lá dentro, e ao balcão não se via vivalma.
Esperei, li os papéis todos que por lá andavam até que chega alguém para me atender. E quem era? Pois, aquela-que-parece-que-todos-lhe-devem-e-ninguém-lhe-paga. Foi neste momento que eu pensei "eu joguei pedra na cruz" (ler com sotaque brasileiro). Desde o último encontro que tive com esta senhora bem que lhe podia ter passado a neura, mas, espantem-se, não passou. Ora pois que a senhora vem lá de dentro para me atender a praguejar entredentes que se tinha acabado não sei o quê, e que tinham de trazer tudo de casa, até canetas tinham de trazer de casa. Agora a sério, eu mereço?
Felizmente só tive de lhe dizer bom dia, dar o livro verde para me registar e virar costas, não tenho paciência para estas almas perdidas.
Já na triagem a enfermeira que me atendeu foi de uma simpatia tal logo àquela hora da manhã que até me deu gosto conversar um bocadinho com ela.
Se me volto a cruzar com aquela mal-dispostinha que parece-que-todos-lhe-devem-e-ninguém-lhe-paga acho que me nasce a miúda com o susto!
Chego ao balcão da Urgência (sim, foi lá que fui para ver como param as modas dentro da minha barriga) assim cedo pela fresca, 8h30 da manhã, e ninguém para me atender. Só estava um senhor na sala de espera, provavelmente à espera da sua grávida que estaria a ser atendida lá dentro, e ao balcão não se via vivalma.
Esperei, li os papéis todos que por lá andavam até que chega alguém para me atender. E quem era? Pois, aquela-que-parece-que-todos-lhe-devem-e-ninguém-lhe-paga. Foi neste momento que eu pensei "eu joguei pedra na cruz" (ler com sotaque brasileiro). Desde o último encontro que tive com esta senhora bem que lhe podia ter passado a neura, mas, espantem-se, não passou. Ora pois que a senhora vem lá de dentro para me atender a praguejar entredentes que se tinha acabado não sei o quê, e que tinham de trazer tudo de casa, até canetas tinham de trazer de casa. Agora a sério, eu mereço?
Felizmente só tive de lhe dizer bom dia, dar o livro verde para me registar e virar costas, não tenho paciência para estas almas perdidas.
Já na triagem a enfermeira que me atendeu foi de uma simpatia tal logo àquela hora da manhã que até me deu gosto conversar um bocadinho com ela.
Se me volto a cruzar com aquela mal-dispostinha que parece-que-todos-lhe-devem-e-ninguém-lhe-paga acho que me nasce a miúda com o susto!
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Um Amor em Tempos de Guerra, de Júlio Magalhães
A história deste livro leva-nos a um dos mais marcantes episódios da nossa história mais recente: a guerra do Ultramar. António, o protagonista, vive em Santa Comba Dão, é vizinho de António Oliveira Salazar, a ele lhe deve o nome que os pais lhe deram, e tem um amor desde sempre, Amélia, com quem tem planos para casar, ter filhos e ser feliz. Tudo corria bem até ao dia em que é chamado para a tropa e, depois do serviço militar cumprido, é enviado para Angola a bordo do navio Niassa que levou os militares portugueses para combater numa guerra de ninguém. Em Angola valem-lhe os amigos que fez na tropa, os amigos que fez na guerra e as cartas trocadas com Amélia e a mãe para manter a sanidade mental que a guerra rouba, e vale-lhe Dulce, uma preta linda de sangue quente que lhe mostra outro amor diferente do de Amélia. António sabe o que quer e apesar de a sua missão já ultrapassar os dois anos, ele só pensa em regressar à sua terra e casar com Amélia, conforme planeado anos antes, no entanto na última missão é apanhado numa emboscada, feito prisioneiro durante 3 anos e dado como morto pelo exército português. António consegue fugir já depois da Revolução, e acaba por regressar doente, muito fragilizado a nível emocional e sem saber o que o espera na sua terra.
O modo de escrita de Júlio Magalhães reflecte o seu lado jornalista e talvez seja isso que faz com que a leitura deste livro seja tão fluida e galopante.
É um livro que nos toca no lado mais sensível, fazendo o leitor sentir a dor e o desespero dos portugueses, tanto os que partiram para a guerra, como os que cá ficaram amputados dos seus familiares e amigos.
No final, e apesar de todo o contexto histórico em que está envolvida, esta é uma história de um amor superior que pode muito bem ter acontecido nos idos anos 70.
A época interessa-me, tenho muita curiosidade pelos acontecimentos que ocorreram nesta altura e é também a esse facto que atribuo a rapidez com que li o livro.
António nasceu marcado pelo nome. O mesmo que o vizinho da rua das traseiras, o homem que se fez doutor em Coimbra e que ia à terra sempre que podia, o tal que governava o país com pulso de ferro. Mas de pouco ou nada lhe valeu tão grande nome quando o destino o enviou para Angola, para defender a pátria em nome de uma guerra distante que não era a sua. Deixou para trás a sua terra, a mãe inconsolável e Amélia, a mulher a quem pedira em casamento, num banco de pedra, junto à igreja e que prometera fazer dele o homem mais feliz de Vimieiro. Promessa gravada num enxoval imaculado que ficou guardado no armário, à espera do fim daquela maldita guerra. Quando António regressou de Angola, era um homem diferente. Marcado no corpo por anos de guerra e de cativeiro e no coração por um amor impossível que deixara em pleno mato angolano. Regressava para cumprir a promessa que fizera anos antes à sua noiva Amélia, que o julgara morto, e que, em sua memória, tinha enterrado um caixão sem corpo.Fonte: fnac.pt
Nascido e Criado na Margem Sul, de Rui Unas
Este livro encaixa-se mais no estilo de comédia do que propriamente biografia porque duvido que grande parte do que Unas nos escreve tenha realmente acontecido, ou pelo menos acontecido tudo com ele.
Num estilo de escrita corrido e muito simples, Rui Unas conta-nos passagens de uma vida passada na Margem Sul, com gangues, jogos de bola na praceta, e todo um conjunto de episódios que dariam um livro bibliográfico se tivessem todos realmente acontecido, assim deram um livro misto de ficção e realidade com piada que se lê "enquanto o Diabo esfrega um olho".
Rui Unas vive na Margem Sul há quarenta anos anos e correm rumores de que nunca foi sequer a Lisboa. (Diz-se que sente vertigens ao aproximar-se da ponte e que só de charola aceita pôr os pés num cacilheiro.) Em certas noites de nevoeiro há relatos de avistamentos do nosso herói no braço esquerdo do Cristo Rei – de costas para Lisboa. Pela Margem Sul cresceu, levando uma vida pautada pelo vício e pela transgressão gratuita, tendo conquistado o pleno domínio da sua praceta enquanto criança. É dali que ainda hoje controla o tráfico de ursinhos de goma em toda a Margem Sul e comanda o movimento independentista sectário autodenominado «A Margem Sul é até Cabo Verde». Há cerca de vinte anos, conquistou o mundo aos microfones da Rádio Seixal, travestindo-se desde então de radialista, apresentador de televisão, fake MC, autor de autobiografias imaginárias, actor e profissionalíssimo professor de kizomba. Don Juan nas horas vagas (e nas outras horas todas), são épicas as histórias das suas conquistas, de Alcochete à Caparica, tendo as suas bravatas inspirado argumentos cinematográficos de uma produtora de renome, sediada numa cave do Barreiro. Marcou gerações, sobretudo a que o viu de maillot de luta greco-romana, e nem com uma vida inteira de psicoterapia conseguirão os margem-sulenses esquecer a primeira vez que dançou o malhão africano em público. Esta é a sua história.Fonte: fnac.pt
O Homem Que Sonhava Ser Hitler, de Tiago Rebelo
Este livro conta a história de um inspector da polícia judiciária e do seu parceiro que tentam deslindar uma conspiração política da extrema-direita que tem como objectivo destruir a democracia em Portugal. A história parte de uma agressão de um grupo de cabeças-rapadas a uma criança que fica em coma, e é a partir daqui que a judiciária começa a desenrolar o novelo sem fim que envolve gente influente e conhecida do meio político.
Com uma escrita simples, fácil e fluida a que Tiago Rebelo já habituou os seus leitores noutros livros, é um romance meio policial com muito suspense que prende à medida que se avança na leitura, com um final mais ou menos surpreendente.
Neste surpreendente romance, Tiago Rebelo abre-nos a porta dos fundos do lado mais obscuro da política nacional dos nossos dias, onde nada é o que parece ser e onde se desenrolam acontecimentos extraordinários que colocam em perigo a sociedade, sem que esta se aperceba do que está realmente a acontecer. Negócios duvidosos, violência extrema, espionagem, tudo vale numa guerra secreta entre um implacável exército da extrema-direita e grupos de agitadores anarquistas da esquerda mais radical. Os dois lados tecem as suas teias globais, que se confrontam, desde as revoltas nas ruas da Grécia aos bairros problemáticos dos arredores de Lisboa. Numa narrativa vertiginosa que, a cada página, é uma bola de neve de acontecimentos cada vez mais inesperados, o autor apresenta-nos personagens inesquecíveis, como o Caveira, um sinistro gigante que chefia as tropas de choque de um partido neonazi liderado pelo seu irmão, um homem sem escrúpulos e de invulgar inteligência, que tem o sonho de repetir em Portugal o projecto de Hitler.Contra estes impiedosos irmãos, o inspector-chefe, António Gaspar, da PJ, leva a cabo uma investigação que ameaça a sua vida e a da mulher que ama, a ex-namorada que procura recuperar no desvario dos dias perigosos que põem em risco a nação.Fonte: fnac.pt
quinta-feira, 10 de abril de 2014
L que não é de Leonor
Diz-se por aí que na primeira gravidez as futuras mães têm a tendência de ir comprar roupa de grávida mal a barriga começa a crescer. Ora acho que nem nesta parte fui normal, só fui comprar duas camisolas de grávida porque a minha mãe quase me obrigou. Se as calças de grávida me dão efectivamente muito jeito (todas as outras deixaram mesmo de servir), relativamente às camisolas consegui desenrascar-me com o que tinha no armário, até ao dia em que a minha mãe me disse "vamos comprar roupa que eu quero que sejas uma grávida bonita", que é tudo o que uma pessoa quer ouvir da própria mãe! Sabem aquela coisa das mães acharem que somos os mais bonitos do mundo, independentemente das calças rotas, as sapatilhas gastas ou as camisolas com borbotos? Deixem lá isso, é tudo mentira.
Pois que lá fizemos uma incursão ao shopping mais próximo para adquirir uns modelitos da moda para a minha barriga que teimava em crescer um bocadinho a cada dia que passava. Claro que não fui a lojas de grávida, fui às lojas de sempre, mas como a barriga já há muito que deixou de ser lisa, vi-me obrigada a ir subindo os tamanhos à medida que experimentava roupa, porque se a barriga estava grande, ia acabar por crescer mais e quando viesse o calor primaveril já nada daquilo me ia servir e iria precisar de roupa novamente, e foi assim que eu, menina de S na roupa, acabei a comprar camisolas e tshirts de tamanho L. Quem disse que ir às compras era relaxante?
É todo um mundo novo
Felizmente nunca fui pessoa de grandes doenças ou paranóias com as mesmas, pelo que as minhas idas ao médico sempre passaram pelo estritamente necessário, ou seja, quando era obrigada pela minha mãe ou quando o caso era realmente grave. Assim sendo, todas estas andanças de consultas, análises e afins são uma nova descoberta associadas à gravidez.
Mais uma achega para a minha dissertação: causa-me dores de fígado pessoas que estão no atendimento ao público e logo pela manhã têm aquela cara de que toda a gente lhes deve e ninguém lhes paga, tratando os utentes de tal forma que uma pessoa até se sente culpada de cá ter vindo.
Pois bem, posto isto, vamos ao que interessa. Doutora manda vir à maternidade para me fazer uma análise que o médico de família se esqueceu de passar (antes que perguntem, sim, eu sou como o da canção, vou a todas, médica particular, maternidade e médico de família).
Assim que cheguei, fui falar com a médica e ela passou-me um papelinho com aquela letra ilegível tão própria dos médicos para eu ir à recepção inscrever-me. Ora é aqui que a história começa.
A senhora simpática da recepção, depois de ouvir o que eu queria, passa-me para a fila do lado, para ser atendida por aquela-que-parece-que-todos-lhe-devem-e-ninguém-lhe-paga. Ela ouviu o que pretendia e começou o fandango. Entredentes começou a barafustar que devia era estar no gabinete dela (deve ser daquelas que são boas é a trabalhar isoladas da população), que a médica não estava boa, que ia agora abrir um processo por causa de uma análise, nisto eu interrompo delicadamente e num esforço de simpatia que já não me estava a ser natural digo que a médica está no gabinete 1 se desejar falar com ela, ao que ouço "vou agora falar com a médica" - em jeito de desdém - "se ela diz que é para inscrever, é para inscrever" mas sempre com maus modos!
Perante a má disposição da senhora, só me saiu um seco "obrigada e bom dia", virei costas e lá fui esperar pela minha vez na consulta com a médica.
Cara senhora da recepção aquela-que-parece-que-todos-lhe-devem-e-ninguém-lhe-paga, a senhora trabalha numa maternidade, sabe, portanto, que as grávidas em particular são seres com mudanças de humor repentinas e a qualquer momento pode-lhe ser direccionada uma resposta torta ou até um insulto, por isso se eu fosse a senhora metia a minha melhor cara para vir trabalhar, mas se não estiver para isso, não se incomode que eu conheço pelo menos meia dúzia de pessoas que fariam o seu trabalho com um sorriso na cara e boa disposição e a senhora poderia ficar em casa a contar para a estatística do desemprego.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Leonor
Às 34 semanas semanas e 1 dia a nossa pequena Leonor diz olá ao mundo blogosférico ainda dentro da barriga da mãe, tendo como cenário o quarto mais lindo das redondezas.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Sangue do Meu Sangue
Sangue do Meu Sangue conta a história de uma família num bairro degradado de Lisboa, Márcia (Rita Blanco) é mãe solteira de dois filhos, Cláudia (Cleia Almeida) que estuda enfermagem e trabalha num supermercado e João Carlos (Rafael Morais), um jovem delinquente que faz o maior erro da vida dele ao tentar enganar o dealer. Na mesma casa vive Ivete (Anabela Moreira), irmã de Márcia que ajudou a criar os dois.
Perante as encruzilhadas em que os filhos se metem, a mãe tem coragem, determinação e energia suficiente para resolver os problemas dos filhos da maneira que acha que os protege mais. É, mais que tudo, uma história de sobrevivência e amor incondicional, com grande teor de violência e actualidade. Ainda assim, tanta referência à "portugalidade" é capaz de ser demais: o relato de futebol sempre presente, a música de Tony Carreira sempre no fundo e as t-shirts da Selecção caem na banalidade do estereótipo português.
Márcia mora com a irmã, Ivete, num bairro camarário dos arredores de Lisboa. Juntas, criaram os filhos de Márcia: Cláudia, que estuda enfermagem e é caixa num supermercado, e Joca, que se tornou num pequeno delinquente. Um dia, a vida da família é abalada para sempre: Joca tentou enganar o dealer para quem traficava e é apanhado; e Cláudia apresenta à mãe o seu novo namorado, seu professor e muito mais velho. E quando esta o conhece, percebe que tem de fazer tudo para acabar com a relação, assombrada por uma tragédia sem nome. Esta é uma história de amor incondicional, de sacrifício e de redenção.Fonte: cinema.sapo.pt
Sangue do Meu Sangue no IMDB.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Camarate - A Verdade Não Perscreve, de Inês Serra Lopes
Inês Serra Lopes levou a cabo uma longa investigação sobre o caso Camarate durante o tempo em que esteve na TVI. Este livro, lançado em 1996, compila um conjunto de informações que a jornalista conseguiu apurar desta investigação intensiva sobre o caso Camarate. No dia 4 de Dezembro de 1980, durante a campanha de Soares Carneiro, o Cessna onde viajavam o Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro, o Ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, suas esposas, os pilotos e ainda o chefe de gabinete do Primeiro-Ministro, António Patrício Gouveia, despenhou-se alguns segundos depois de levantar voo do Aeroporto da Portela. Ninguém sobreviveu.
Ainda hoje a dúvida persiste, nada foi provado, acidente ou atentado? Perante as ilacções de Inês Serra Lopes publicadas neste livro, cada um poderá tirar as suas conclusões. Muitos foram silenciados, muitos factos encobertos, encontraram-se factos contraditórios, muitos nomes que actualmente estão na política foram surgindo no curso da investigação e o mistério persiste até aos dias de hoje. Passaram já 33 anos, o caso prescreveu, mas a verdade, essa, permanece por apurar.
"Aliás, não tenho pressa: o procedimento criminal prescreveu. A verdade, não."
quinta-feira, 27 de março de 2014
Niassa, de Francisco Camacho
Niassa, livro com o mesmo nome de um dos lagos mais misteriosos de Moçambique, é uma história de descoberta, tanto a nível pessoal como a nível familiar.
Cansado da vida boémia em Cascais, cansado das festas de fim de Verão, de fim disto ou daquilo, aos trinta anos, o mais jovem da família Garcia decide partir para as profundezas de Moçambique para procurar o irmão Rafa que mal conhece, de quem ninguém sabe há algumas semanas. A sua viagem por Moçambique leva-nos a conhecer um pouco de Moçambique e do seu passado português.
Este é um romance contemporâneo que ajuda a perceber um pouco mais desse bocado da história que foi a presença portuguesa em África, sem saudosismos, através de algum detalhe mas com uma escrita clara e objectiva como é característico dos jornalistas, classe a que Francisco Camacho pertence.
Os livros que descrevem África e a influência que de alguma forma os portugueses lá tiveram continuam a fascinar-me, não que alguma vez me tenha passado pela cabeça sequer visitar algum deles. Este livro foi lido num ápice e no fim ficou aquela saudade de um livro que ainda não devia ter acabado, ainda havia tanto que eu queria saber.
"Esperar algum reconhecimento daquela gente era o mesmo que fazer uma visita guiada com um grupo de fornacos por um museu de bonecas de porcelana e contar com um forte aplauso no fim."
FARTO DA VIDA QUE LEVA EM LISBOA, um homem de trinta anos resolve partir para o Niassa, a região de Moçambique onde existe um dos maiores e mais enigmáticos lagos africanos, à procura do irmão que desapareceu em circunstâncias misteriosas e que ele mal conhece.A investigação do paradeiro de Rafa leva-o a peregrinar pelos sonhos de grandeza dos tempos coloniais, pela brutalidade da guerra civil moçambicana e pela história trágica da sua família, numa viagem ao imprevisto decorrida entre paisagens deslumbrantes.Fonte: fnac.pt
A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe
Se me perguntarem sobre que trata este livro só poderei responder: a velhice. Assim de forma nua e crua porque é assim que todo o livro está escrito, de forma crua, dolorosa e ao mesmo tempo com alguma sensibilidade em relação a essa época do fim de vida.
Tendo sido o primeiro livro que li deste autor cabe-me realçar o tipo de escrita do autor, sem maiúsculas, sem indicações de discurso directo, passando por cima das regras da boa escrita que todos aprendemos. Este tipo de escrita em nada acrescenta valor ao livro, é uma clara ousadia que nos faz, inevitavelmente, compará-lo com Saramago que também ignorava muitas das regras de escrita. Ainda assim, vou ignorar este ponto negativo na minha descrição do livro.
A história passa-se num lar de idosos onde António Silva chega depois de ter perdido a sua mulher, Laura, companheira de uma vida inteira, onde é colocado pela filha, ainda que esteja suficientemente lúcido para estar sozinho e por isso ali chega num misto de revolta e solidão. É através do próprio que conhecemos a sua vida passada e aquela que agora tem de enfrentar com novas pessoas, novos amigos dos quais se destaca Esteves, uma personagem que diz ter sido inspiração de um poema de Pessoa.
Ao mesmo tempo que é uma história cómica, é também angustiante que a vida se acabe assim, daquela forma para os tantos velhinhos que ali estão a ver o dia passar. É um livro que acaba por nos fazer pensar e dar mais valor a esta fase da vida e a estas pessoas que têm tantas histórias ainda por contar.
O livro tem alguns diálogos hilariantes, sejam fruto da senilidade de alguns ou se devam ao facto de com aquela idade já se poder dizer tudo, esses diálogos traduzem-se em críticas à sociedade e à classe política da actualidade.
No entanto, parece-me que se assume aqui um estereótipo claro pois nem todos os idosos são assim depositados num lar e praticamente abandonados pelas famílias.
Ainda assim, fiquei com curiosidade para ler outros livros deste autor que está a ter tanto sucesso entre esta nova geração de autores, a história é muito cativante.
Deixo aqui algumas passagens aleatórias que de alguma forma marcaram:
"e a reforma é que devia vir mais cedo. antes das dores nas costas e da perda de jeito para conduzir. eu já não conduzo nada. fico encandeado com as luzes e confunde-me o barulho e a gente a vir de todos os lados."
(...)
"ó senhor cristiano, não vai falar outra vez do regime. não é isso, é que é importante pensar nestas coisas, respondia ele. estamos para aqui todos fascistas, com pensamentos de um fascismo indelével a achar que antigamente é que era bom. este é o fascismo remanescente que vem das saudades. sabe, acharmos que salazar é que arranjaria isto, que ele é que punha esta juventude toda na ordem, é natural, porque temos medo destes novos tempos, não são os nossos tempos, e precisamos de nos defendermos. quando dizemos que antigamente é que era bom estamos só a ter saudades, queremos na verdade dizer que antigamente éramos novos, reconhecíamos o mundo como nosso e não tínhamos dores de costas nem reumatismo. é uma saudade de nós próprios, e não exactamente do regime e menos ainda de salazar."
(...)
"(...) que antigamente havia vergonha, e agora devem estar a tirá-la dos dicionários. toda a gente lê a bola e o problema é que a bola nem sequer explica porque é que o benfica não ganha quando não faz sentido que uma equipa daquelas, sustentada daquele modo, perca desavergonhadamente. "
(...)
"até os nossos euros haviam de pensar serem escudos numa crise de identidade à portuguesa como nunca se viu outra. é que somos estuporados por todo o lado, pagamos o mesmo que a europa paga por qualquer coisa, mas ganhamos três vezes menos. temos salário de rato. salário de humanos de segunda. porque os nossos governos não têm tomates suficientes para ler a bola e ordenar que o benfica seja campeão."
(...)
"vocês já perceberam que se o benfica fosse campeão o país até se começava a levantar da letargia. dizem que têm seis milhões de adeptos, o benfica campeão havia de funcionar como combustível nos espíritos da nação e pôr esta gente toda a bulir. "
(...)
"é que no meio disto tudo os cães no algarve têm de aprender a miar porque ali ninguém sobrevive sem falar duas línguas."
(...)
"(...) portugal ainda é uma máquina de fazer espanhóis. é verdade, quem de nós, ao menos uma vez na vida, não lamentou já o facto de sermos independentes. quem, mais do que isso até, não desejou que a espanha nos reconquistasse, desta vez para sempre e para salários melhores."
Esta é a história de quem, no momento mais árido da vida, se surpreende com a manifestação ainda de uma alegria. Uma alegria complexa, até difícil de aceitar, mas que comprova a validade do ser humano até ao seu último segundo. "A Máquina de Fazer Espanhóis" é uma aventura irónica, trágica e divertida, pela madura idade, que será uma maturidade diferente, um estádio de conhecimento outro no qual o indivíduo se repensa para reincidir ou mudar. O que mudará na vida de antónio silva, com oitenta e quatro anos, no dia em que violentamente o seu mundo se transforma?Fonte: fnac.pt
A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós
Gonçalo Mendes Ramires, o Fidalgo da Torre, é a figura central desta história, descendente de uma família muito antiga, nobre, com grandes posses e nome na sociedade da altura. Nesta obra é-nos relatada toda a história familiar dos Ramires, num romance histórico a par com a descrição contemporânea da vida na província. A bisbilhotice, mesquinhez e intrigas da vida provinciana estão bem patentes em cada parágrafo da descrição da vida na aldeia, o que se torna num ponto comum com outras obras de Eça que li.
Gonçalo, a personagem central, surge aqui na personificação de Portugal, com os seus medos, mentiras, a decadência, a cobardia, a futilidade, a falta de vontade, mas ao mesmo tempo a aspiração a ser uma grande figura na sociedade, com nome e feitos históricos familiares mas um futuro incerto e até amargo.
Eça de Queirós era um grande observador e crítico da socidade portuguesa e este livro vem mais uma vez atestar essa perspicácia tão sua em colocar numa obra um retrato tão fidedigno de Portugal no século XX que em muito toca no Portugal da actualidade.
Gonçalo Mendes Ramires é efectivamente Portugal, conforme se pode ler nesta passagem do livro:
Gonçalo Mendes Ramires é efectivamente Portugal, conforme se pode ler nesta passagem do livro:
"- Talvez se riam. Mas eu sustento a semelhança. Aquele todo de Gonçalo, a franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade, que notou o Sr. padre Soeiro... Os fogachos e entusiasmos, que acabam logo em fumo, e juntamente muita persistência, muito aferro quando se fila à sua ideia... A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios, e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos, quase pueris, não é verdade?... A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira, e ao mesmo tempo um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar... A esperança constante nalgum milagre, no velho milagre de Ourique, que sanará todas as dificuldades... A vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir, e uma simplicidade tão grande, que dá na rua o braço a um mendigo... Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda, o encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa... Até aquela antiguidade de raça, aqui pegada à sua velha Torre, há mil anos... Até agora aquele arranque para a África... Assim todo completo, com o bem, com o mal, sabem vocês quem ele me lembra?
- Quem?...
- Portugal."
Outras passagens do livro que por algum motivo foram marcantes:
"- Oh, senhores! Que eu não possa vir à cidade sem encontrar de cara este animal do Cavaleiro! E sempre no largo, defronte da casa! É sorte!... Esse bigodeira não achará outro lugar para onde vá caracolar com a pileca?"
(...)
"- Pois é necessário um menino. Eu por mim não caso, não tenho jeito: e lá se vão desta feita Barrolos e Ramires! A extinção dos Barrolos é uma limpeza. Mas, acabados os Ramires, acaba Portugal.(...)"
(...)
"- Mas o que não compreendo, menino, é esse o teu «horror» pela D. Ana... Caramba! Mulher soberba! Um quebrado de quadris, uns olhões, um peitoril..."
(...)
"Agora porém, durante três, quatro anos, os regeneradores não trepavam ao Governo. E ele, ali, através desses anos, no buraco rural, jogando voltaretes sonolentos na Assembleia da vila, fumando cigarros calaceiros nas varandas dos Cunhais, sem carreira, parado e mudo na vida, a ganhar musgo, como a sua caduta, inútil Torre! Caramba! era faltar cobardemente a deveres muito santos para consigo e para com o seu nome!... Em breve os seus camaradas de Coimbra penetrariam nos altos empregos, nas ricas companhias; muitos nas Câmaras por vacaturas abençoadas, como a do Sanches; um ou outro mesmo, mais audaz ou servil, no Ministério. Só ele, com talentos superiores, um tal brilho histórico, jazeria esquecido e resmungando como um coxo numa estrada, quando passa a romaria."
(...)
"Meu filho, onde não há saia, não há ordem!"
Com base nas edições críticas publicadas pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda sob a coordenação do Professor Carlos Reis, a Presença dá a conhecer ao público em geral o texto que corresponde à última vontade do autor fixado em edição corrente. A partir deste critério foram já publicados "O Mandarim"; "A Capital!" e "Alves e Cª". A primeira versão de "A Ilustre Casa de Ramires", embora ainda incompleta, foi publicada na Revista Moderna entre 1897 e 1899. A partir desta primeira versão, Eça reescreveu este romance, que foi publicado em livro em 1900 – após a morte do escritor nesse ano – sendo por isso considerada uma obra «semipóstuma».Fonte: fnac.pt
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Ana
A Ana nasceu hoje, 5 de Fevereiro, mais um dia que ficará para sempre com uma marca especial no nosso calendário. A Ana é a minha sobrinha luso-vietnamita e nasceu esta noite, ou esta tarde pelo fuso horário do Vietname.
Pouco mais de 3Kgs de gente e já encantou as duas partes do mundo, a família da mãe do lado de lá e a família do pai do lado de cá. A partir do momento em que recebi a mensagem do meu irmão quase à 1 da manhã de cá a dizer "Ela vem aí" nem foi preciso acordar muito bem para perceber o que se passava, a Ana já estava com ordem de chegada. A partir daí trocámos mensagens pela noite fora, dormi nos intervalos e quando acordei a última vez já tinha no telemóvel três fotos da minha sobrinha, com uma carinha exótica, ainda de olhos fechados sem se incomodar com o mundo que gira cá fora que a aguardava ansiosamente.
Quando soube que seria uma menina e que se ia chamar Ana escrevi este texto, que não poderia deixar de relembrar neste dia de alegria imensa.
E agora vamos aguardar com calma e paciência que se chegue o tempo de ela vir pessoalmente conhecer-nos, no entretanto já pedi que me mandassem sempre fotos para a ver crescer, ainda que a mais de 11000km.
Fonte da imagem: aqui
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Stomp
Os Stomp vão voltar a Portugal! Depois de os ter visto no Porto em 2011, só me resta deixar um conselho: façam um favor a vós próprios em prol da vossa cultura e vão assistir a um espectáculo destes senhores, que é dinheiro muito bem empregue.
Desta vez não vão estar só em Lisboa e Porto, o centro do país começa a deixar de ser paisagem, finalmente.
- 2 e 3 de Abril no CAE na Figueira da Foz
- 5 e 6 de Abril no Coliseu do Porto
- 9 a 12 de Abril no CCB em Lisboa
Agora esqueçam-se...
Fonte da foto: Stomp website
Parker
Para mim, este tipo de papéis assenta em Jason Statham que nem uma luva, aliás, duvido muito que um dia lhe sejam atribuídos outros, como alguém escreveu "Jason Statham is a hooligan dessed like a dandy" e eu não poderia concordar mais.
Parker (Jason Statham) é um ladrão profissional que, ainda que assim seja, tem um conjunto de regras que definem a sua conduta enquanto ladrão: não rouba a quem não tem e não mata quem não merece. No entanto, no seu mais recente assalto, a equipa que lhe arranjaram passa-lhe a perna, fica com a parte dele e ainda pensam que o deixam morto numa berma de estrada. Determinado a vingar-se, Parker vai até Palm Beach, Miami, onde a antiga equipa orienta o golpe da vida deles. Disfarça-se de homem de negócios do Texas e conhece Leslie (Jennifer Lopez), a agente imobiliária que lhe anda a mostrar as casas para venda, que conhece bem a área e que acaba por se tornar sua aliada.
É um filme de acção com uma história igual a tantas outras, mas o que é certo é que prende desde início.
Jenifer Lopez apresenta-se-nos bastante mais magra, com uma boa interpretação, Jason Statham nasceu para filmes de porrada, tiros e facada e para mandar aquelas respostas típicas sempre com um ar sério. Vale a pena ler alguns dos diálogos:
Leslie Rodgers: How do you sleep at night?
Parker: I don't drink coffee after 7.
Parker: [points the gun] Do what I say and you won't get hurt.
Jack: [tried to take out gun from holster] Mine's bigger than yours.
Parker: [shoots him in the leg] It's not the size, it's how you use it.
Parker: I don't steal from anyone who can't afford it, and I don't hurt anyone who doesn't deserve it.
Jake Fernandez: [after Leslie buys a large cup of coffee] Hey, you have a cupholder in your car, or you just keep that between your legs?
Leslie Rodgers: Well, it's large and black, Jake. Where do you think I like it?
Parker é um assaltante ousado, meticuloso e implacável , um especialista em planear e executar assaltos aparentemente impossíveis. Tudo o que exige à sua equipa é lealdade absoluta e estrita adesão ao plano. Quando durante um assalto, um descuido de um membro do seu grupo coloca toda a equipa numa situação de perigo, Parker recusa entrar num novo golpe, apesar de este ser pedido pelo chefe do crime Melander. Não estando disposto a aceitar um não como resposta, Melander ataca Parker, deixando-o como morto numa estrada deserta. Sobrevivendo ao ataque e decidido a vingar-se, Parker segue os seus atacantes até Palm Beach, onde assume a identidade de um texano rico à procura de comprar uma casa. Lá conhece Leslie, uma vendedora de imóveis com problemas financeiros e um enorme conhecimento da região. Ao descobrir que o grupo de Melander pretende roubar mais de 50 milhões de dólares em joias, Parker elabora um plano para sequestrar o prémio e assim executar a sua vingança.Fonte: cinema.sapo.pt
Parker no IMDB.
American Hustle
Baseado em acontecimentos reais, American Hustle acompanha a vida do vigarista Irving Rosenfeld (Christian Bale) e da sua sedutora aliada Sydney Prosser (Amy Adams) na época da recessão de 1970 que atingiu os EUA. O agente do FBI Richie DiMaso (Bradley Cooper) acaba por os apanhar e levá-los a trabalhar para o governo em troca da liberdade, uma vez que o seu conhecimento dos meandros do crime é vasto e precioso para apanhar outros burlões. Nesta história surge Rosalyn Rosenfield (Jennifer Lawrence), a desequilibrada, ainda assim cómica, mulher de Irving, que vai tendo um papel cada vez mais importante à medida que a acção avança e que pode deitar tudo a perder mesmo no momento fulcral.
Dinheiro, mulheres bonitas, corrupção e negócios escuros são os ingredientes que fazem de American Hustle um sério candidato aos Oscars 2014.
O elenco é de luxo, Amy Adams tem claramente um papel principal, com a sua personagem sedutora com grandes decotes, no entanto, o seu papel só faz sentido ao lado de um Bale irreconhecível, gordo e pouco atraente.
O argumento não é propriamente original, julgo que o objectivo nunca foi esse, ainda assim é filme de entretenimento com histórias de máfia, corrupção e bandidos, divertido, com uma localização temporal interessante e um bom ritmo na acção.
É de notar a breve aparição de Robert de Niro no papel de Victor Tellegio, é sempre um gosto vê-lo neste tipo de papéis.
Situado no fascinante mundo de um dos escândalos mais impressionantes que abalou os EUA, Golpada Americana é uma ficção sobre a história do brilhante vigarista Irving Rosenfeld, que em conjunto com a igualmente astuta e sedutora Sydney Prosser se vê forçado a trabalhar para Richie DiMaso, um alucinado agente do FBI. DiMaso empurra-os para o mundo vigarista e mafioso de Jersey que tem tanto de perigoso quanto de aliciante. Carmine Polito, é um apaixonado e volátil político de Jersey que acaba envolvido nesse universo de polícias e vigaristas. E Rosalyn, a imprevisível mulher de Irving, poderá ser aquela a puxar o fio que fará todo este mundo desabar.Fonte: cinema.sapo.pt
American Hustle no IMDB.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
The Place Beyond the Pines
"The Place Beyond the Pines" conta a história de um acrobata de motas, Luke (Ryan Gosling), que actua com uma companhia de circo em feiras pelo país. Na sua passagem por Schenectady (NY), reaproxima-se da ex-namorada do ano anterior, Romina, (Eva Mendes) e descobre que quando a deixou ela estava grávida e têm agora um filho, Jason. Assim, Luke decide ficar na cidade, mesmo ainda sem emprego à vista, Luke pretende aproximar-se do filho e ajudar a criá-lo. Nessa altura conhece o dono de uma oficina que lhe dá emprego mas cujo verdadeiro objectivo é passar ao assalto de bancos, tirando partido das competências de Luke ao volante de uma mota.
Avery (Bradley Cooper) é um jovem polícia em início de carreira. Avery é responsável pela captura de Luke depois de um assalto que acaba por morrer nessa captura. Avery fica ferido durante a perseguição e torna-se uma espécie de herói do povo. Entretanto dá de caras com esquemas de corrupção que nada lhe dizem, mesmo dentro da instituição para a qual trabalha e, fazendo uso inteligente disso com a ajuda do pai influente, ascende na carreira. Aqui termina a primeira parte do filme que de seguida evolui para 15 anos depois quando os caminhos de Jason (filho de Luke) e AJ (filho de Avery) se cruzam na escola. Jason (Dane DeHaan) é um adolescente com problemas de droga e com a polícia. AJ é um bully, marcado pelo divórcio dos pais, mimado e irritante.
A história destas personagens pede atenção, interligando-se de forma fluida como seriaprevisível a partir da segunda parte.
É importante realçar que as escolhas dos pais estarão para sempre presentes das escolhas dos filhos.
Uma particularidade: o papel de Ray Liotta assenta-lhe que nem uma luva, é que ele tem mesmo ar de corrupto e sacana.
Luke ganha a vida a realizar performances de motas em feiras populares que viajam de cidade em cidade. Ao passar por Schenectady em New York, Luke tenta reaproximar-se da ex-namorada Romina e descobre que na sua ausência de quase um ano, ela teve um filho seu, Jason. Luke resolve desistir da sua vida na estrada para sustentar a família, conseguindo um emprego como mecânico de automóveis. Ao perceber o talento e ambição de Luke, o seu novo chefe, Robin, propõe-lhe sociedade numa série de espetaculares assaltos a bancos - o que vai colocar Luke na mira do novato e ambicioso policia Avery Cross. Avery, que trabalha num departamento local da polícia, controlado pelo corrupto e perigoso detetive Deluca, está a tentar encontrar um equilíbrio entre a sua vida profissional e a vida familiar, que inclui a sua mulher Jennifer e o filho AJ. O confronto entre Avery e Luke vai trazer consequências para o futuro e são os filhos de ambos, Jason e AJ, que terão de enfrentar este fatídico legado.Fonte: cinema.sapo.pt
The Place Beyond the Pines no IMDB.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
The Butler
Baseado no caso real de Eugene Allen, "The Butler" conta a história de Cecil Gaines (Forest Whithaker), o mordomo negro que serviu 8 Presidentes na Casa Branca ao longo de 34 anos. Em criança trabalhava com os seus pais numa quinta de algodão até ao dia que vê o patrão violar a mãe e assassinar o pai. A senhora da quinta (Vanessa Redgrave) leva Cecil para ser o negro da casa e ensina-lhe todas as regras de servir.
Cecil consegue emprego na Casa Branca numa altura em que a separação entre brancos e pretos é clara e evidente, nos cafés e restaurantes há zonas diferentes para pessoas com pele branca e pele escura, como se fossem bichos. É nessa altura que surge Martin Luther King e os seus ideais. A história do filme permite acompanhar os acontecimentos mais relevantes na história dos EUA e do mundo.
Cecil é casado com Gloria (Oprah Winfrey) e o casal tem dois filhos, Charlie (Isaac White) e Louis (David Oyelowo), um patriota que acede a ir para a guerra lutar pelo seu país e o outro revolucionário e insatisfeito nesta luta entre brancos e pretos.
Esta é uma história real desde os tempos da escravatura, sobre a dignidade humana, a descriminação, conflitos raciais, humilhação pela cor de pele e a falta de reconhecimento. É um filme que entristece pelo lado desumano que apresenta.
Para os mais distraídos, a banda sonora do filme é de Rodrigo Leão, sim sim o nosso.
A Oprah está incrível neste papel. Temos também Mariah Carey num papel muito secundário e relâmpago, Jane Fonda (no papel de Nacy Reagan), John Cusack (Nixon) e Cuba Gooding Jr.
Baseado em fatos verídicos, o filme conta a história de um mordomo negro que serviu 8 presidentes na Casa Branca, durante o período de 1952 e 1986. A partir deste ponto de vista único, o filme traça as mudanças dramáticas que abalaram a sociedade Americana, desde o movimento pelos Direitos Civis, até à Guerra do Vietname, e a forma como essas mudanças afetaram a vida e a família deste homem.Fonte: cinema.sapo.pt
The Butler no IMDB.
sábado, 18 de janeiro de 2014
Cirque du Soleil - Dralion
Dois anos e tal depois da última vez, voltámos a ir ao Cirque du Soleil desta vez ver o Dralion que esteve no Meo Arena de 1 a 12 de Janeiro. Mais uma vez o espectáculo é surpreendente, completamente diferente do Saltimbanco mas igualmente fantástico, com muito malabarismo, equilibrismo e muito sentido de humor. Dá vontade de dizer "uau" depois de cada cena do espectáculo. As luzes, a cor, a música, as acrobacias e todos os intervenientes congeminam para que sejam duas horas grandiosas que passam a correr.
No vídeo oficial de promoção do espectáculo podem ter uma pequena ideia do quão grandioso ele é.
PPC
Pelo terceiro ano consecutivo fiz parte desta aventura que é o PPC, obra da Miss PN, que continua a contribuir para dar emprego aos carteiros deste país. É verdade, já pouca gente envia postais daqueles em papel que vão pelo correio, e isso é uma coisa que me aflige, porque há tradições que não se deviam perder.
Assim sendo, este ano voltei a participar e recebi o meu postalinho vindo de perto, veio de Aveiro da Tinkerbell do Viver é fazer diferente! que muito generosamente além do postal me enviou um bloco de notas lindo com uma dedicatória mesmo à minha medida. É sempre uma agradável surpresa perceber o carinho com que se prepara um postal mesmo para alguém que não se conhece.
Claro que, conforme ditam as regras, eu também enviei um postal. Li o blog da minha "amiga-Natal" de uma ponta à outra, tudo de seguida para perceber o que ela gostava mais e não houve dúvidas, enviei-lhe um postal com um gatinho natalício cheio de pinta, não fosse a minha "amiga-Natal" a Bigodes de Nata do blog com o mesmo nome.
A surpresa maior aconteceu quando recebi da Bigodes de Nata um postal de volta depois de ela ter recebido o meu. Assim recebi dois postais de Natal e agora colecciono mais dois blogs na lista de blogs que leio todos os dias.
Por mim podia ser outra vez Natal, gosto tanto.
Assim sendo, este ano voltei a participar e recebi o meu postalinho vindo de perto, veio de Aveiro da Tinkerbell do Viver é fazer diferente! que muito generosamente além do postal me enviou um bloco de notas lindo com uma dedicatória mesmo à minha medida. É sempre uma agradável surpresa perceber o carinho com que se prepara um postal mesmo para alguém que não se conhece.
Claro que, conforme ditam as regras, eu também enviei um postal. Li o blog da minha "amiga-Natal" de uma ponta à outra, tudo de seguida para perceber o que ela gostava mais e não houve dúvidas, enviei-lhe um postal com um gatinho natalício cheio de pinta, não fosse a minha "amiga-Natal" a Bigodes de Nata do blog com o mesmo nome.
A surpresa maior aconteceu quando recebi da Bigodes de Nata um postal de volta depois de ela ter recebido o meu. Assim recebi dois postais de Natal e agora colecciono mais dois blogs na lista de blogs que leio todos os dias.
Por mim podia ser outra vez Natal, gosto tanto.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
The Hunger Games
Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) vive num país chamado Panem, outrora a América do Norte, no pior e mais pobre Distrito, o Distrito 12, com a mãe e a irmã. Todos os anos o Capitólio da nação organiza os Hunger Games em que um rapaz e uma rapariga são sorteados em cada distrito para que participem nesses jogos, um evento transmitido pela televisão para todo o país em que os "Tributos" devem lutar entre si até apenas restar um sobrevivente.
Quando Katniss ouve o nome da sua irmã no sorteio, oferece-se como voluntária para o lugar da irmã e vê-se obrigada a confiar no instinto e no seu mentor que, embora se tenha tornado num alcóolico, foi vencedor de uma edição dos jogos, Haymitch Abernathy (Woody Harrelson).
Apesar de baseado num livro, acho o conceito do horripilante, lutas pela sobrevivência dos pobres enquanto os ricos assistem satisfeitos às chacinas e às diversas de estratégia para matar o adversário, ainda assim, o filme está bem conseguido.
Num futuro não muito distante, os E.U.A. sucumbiram a secas, guerras, fogos e fome, e deram lugar a Panem, dividido em 12 estados. Para entretenimento das massas todos os anos se realizam os Hunger Games, onde 2 representantes de cada estado se digladiam até à morte.Fonte: cinema.sapo.pt
The Hunger Games no IMDB.
Disconnect
Com um nó na garganta e o estômago contraído, é assim que uma pessoa fica depois de ver este filme.
O filme envolve todo um conjunto de histórias de pessoas que no final, de alguma forma, acabam por se cruzar. No entanto, apesar de o género já ser bastante comum, este filme é diferente, é criativo e cativante. As histórias que marcam o filme todas têm em comum o uso em excesso das novas tecnologias e os efeitos perigosos a que o uso descabido da tecnologia pode levar. Histórias que envolvem redes sociais, fishing, videochats sexuais e a partilha excessiva de informação na internet deixam transparecer a solidão e incompreensão que as pessoas envolvidas sentem.
Este filme acaba por nos fazer reflectir um pouco e levantar algumas questões sobre o uso de tecnologias na sociedade actual e sobre a natureza humana e para onde ela caminha.
Uma teia de histórias entrelaçadas sobre pessoas à procura de ligação humana num mundo cada vez mais conectado virtualmente.Um advogado workaholic que perdeu o contacto com a família; um casal em perigo ao terem os seus bens roubados online; um ex-polícia viúvo que luta pela educação do seu filho, que se serve da internet para fazer bullying sobre um colega; uma jornalista ambiciosa que explora a história de um menor que se exibe num site para adultos.São estranhos, vizinhos e colegas cujas histórias se cruzam neste filme compulsivo que explora as consequências da tecnologia moderna e de como esta determina o nosso dia-a-dia.Fonte: cinema.sapo.pt
Disconnect no IMDB.
Stuck in Love
Este filme mostra o amor nas várias fases da vida de uma pessoa, desde a inocência do primeiro amor, ao primeiro desgosto, passando pelo primeiro namoro e pelas segundas oportunidades, situações todas elas retratadas na família de Bill Borgens (Greg Kinnear), um escritor que teve o seu sucesso e atravessa agora uma fase difícil da sua vida tentando recuperar o amor da ex-mulher Erica (Jennifer Connelly) perante a renitência dos dois filhos adolescentes, Samantha (Lily Collins) e Rusty (Nat Wolff).
Do filme podemos sempre concluir que perdoar é sempre possível, basta querer muito.
Um filme simples, bem conseguido, sem grandes presunções, que nos cativa com aqueles lugares comuns que nos prendem, que acaba por nos transportar para as nossas próprias memórias guardadas nos mais recônditos lugares da nossa mente.
Uma nota: Stephen King também entra neste filme, ainda que só se ouça a voz dele.
Um aclamado escritor, a sua ex-mulher e os seus filhos adolescentes chegam a um acordo com as complexidades do amor em todas as suas formas, ao longo de um ano atribulado.Fonte: imdb.com
Stuck in Love no IMDB.
2 Guns
Bobby (Denzel Washington) e Stigman (Mark Wahlberg) são dois agentes infiltrados que foram incumbidos de prender o patrão da Máfia, no entanto nenhum dos dois sabe que o parceiro é polícia. Ao descobrirem esse facto, terão de se unir para fazer face às ameaças dos verdadeiros bandidos e de quem os quer ver mortos.
É um filme de acção sem grandes aspirações com uma boa dose de humor e uma dupla de actores que raramente desilude mesmo com um argumento nada inovador. A missão dos dois passa por prender Papi Greco (Edward James Olmos) após terem falhado a transacção de droga que incriminaria o barão, então passam ao assalto do banco onde suspeitam que estará o dinheiro da droga. Claro que o assalto não corre como esperado e a dupla tem de lidar com uma série de peripécias, entre as quais a corrupção na polícia e a descoberta da verdadeira identidade do parceiro.
Nos últimos 12 meses, o agente da DEA Bobby Trench e o agente da Marinha dos EUA Marcus Stigman, foram relutantemente forçados a trabalhar juntos. A trabalharem como infiltrados num sindicato de narcóticos, cada um desconfia tanto do seu parceiro como dos criminosos que foram contratados para derrubar. Quando o plano de infiltrar um cartel de drogas Mexicano para recuperar milhões dá errado, Trench e Stigman são de repente renegados pelos seus superiores. Agora que todos os querem na prisão, só podem contar um com o outro. Infelizmente para os seus perseguidores, quando os bons passam anos a fingir que são maus, eles aprendem alguns truques ao longo do caminho.Fonte: cinema.sapo.pt
2 Guns no IMDB.
O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro
Tinha alguma curiosidade na leitura deste livro desde que foi lançado, não só por ter valido ao autor o Prémio Leya 2011 mas também por ter sido escrito por um engenheiro talvez pouco habituado às letras, pelo menos a título profissional.
A história representa as três gerações masculinas de uma família, saltitando entre as várias gerações ao longo do livro sem informação prévia, no entanto, essas mudanças acompanham-se perfeitamente. O avô, médico da cidade que optou por se mudar para uma aldeia perdida no meio de nenhures, o pai que foi obrigado a ir para a guerra e regresso com muitas mazelas psicológicas e o neto, o herdeiro de todas as histórias. A história é contada em pequenos episódios, num vai-vem entre o passado e o presente o que obriga o leitor a encaixar na sua cabeça todas as peças deste "puzzle".
Apesar da leitura agradável e simples, esperava um livro mais marcado pela época e pela nossa história.
Prémio Leya 2011 Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu. Através de episódios aparentemente autónomos - e tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial. Duarte, cuja infância se desenrola já sob os auspícios de Abril, cresce envolto nessas memórias alheias - muitas vezes traumáticas, muitas vezes obscuras - que formam uma espécie de trama onde um qualquer segredo se esconde. Dotado de enorme talento, pianista precoce e prodigioso, afigura-se como o elemento capaz de suscitar todas as esperanças. Mas terá a sua arte essa capacidade redentora, ou revelar-se-á, ela própria, lugar propício a novos e inesperados conflitos? “O vencedor do Prémio Leya 2011 escreveu um dos romances de estreia mais fortes e entusiasmantes da literatura portuguesa dos últimos anos.” José Mário Silva, Expresso “O prémio Leya 2011 pode bem ser o retrato literário de que uma geração andava à procura.”Rui Lagartinho, Público“Pela sua qualidade, honra o mais avultado galardão literário português, e o seu autor veio para ficar.”Miguel Real, Jornal de LetrasFonte: fnac.pt
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