Cenário: ir ao Continente comprar cerca de 7 artigos e levar a Leonor.
A festa começou logo no carro. A miúda tinha as calças sujas, não ia levá-la ao supermercado naquele cenário de quem andou a fazer batalha naval de comida. Peguei na roupa suplente que leva todos os dias para a escola, tirei-lhe as calças e meti-lhe umas leggings (que por acaso até ficavam bem com a camisola que trazia, se não ficasse bem, azar, também não lha ia trocar) ali mesmo no parque de estacionamento. Olho bem para a cara da miúda e toda ela é uma mistura de ranho, baba e outras coisas que não consigo nem quero identificar, saco de um toalhete da minha carteira (lá calhou ter um mini pacote de toalhetes húmidos daqueles para limpar as mãos), esfrego-lhe a cara com aquilo, aproveito e limpo-lhe também as mãos, negras, parecia que tinha andado a plantar alfaces com a bisa. Com um ar minimamente asseado lá vamos nós parque de estacionamento fora. Entro no espaço do centro comercial e meto-a no chão, as minhas costas um dia dão o berro, ou o peido mestre tanto faz. Ela leva a Ovelha Choné de braçado. Insiste em não me dar a mão e foge, naquele jeito dela de "anda, corre atrás de mim que isto aqui é ainda mais giro". Depois de alguma insistência ela dá-me a mão e consigo que vá direitinha até à entrada do supermercado. Claro que a Ovelha Choné fica pelo caminho pelo menos duas vezes e obrigo-a a apanhá-la do chão. Se lha tiro e a meto na carteira ela grita que quer a Ovelha, se lha dou acaba por a mandar para o chão novamente, e assim seguimos.
Uns quinze minutos depois entramos finalmente no supermercado propriamente dito, não há cestos. Ela continua no chão, de mão dada comigo e com a Ovelha na outra mão, corremos as caixas todas à procura de um cesto em passo de caracol que ela gosta de andar e observar tudo à volta. Quase no fim da fila de caixas lá encontramos o raio de um cesto, ainda por cima meio empenado. Não quero saber, levamos aquele na mesma. Damos finalmente início às compras dos 7 artigos que ali nos levaram. Ela quer fugir-me da mão, o Continente está cheio de gente, não vou correr o risco de me fugir, acabo por a pegar ao colo no braço esquerdo e com a mão direita puxo o cesto ainda vazio. Não perco tempo a escolher coisas, já sei o que quero, vou directamente às prateleiras e é só meter para o cesto, o problema é que o que quero fica em sítios opostos do supermercado e o raio daquela superfície comercial não é propriamente pequena. Sinto-me a fazer a meia maratona com a miúda ao colo (só num braço, que o outro tem um cesto agarrado). Como raio é suposto meter a fruta dentro dos sacos? (já nem a escolho, se estiver ligeiramente tocada ou podre, paciência, não quero saber). Meto-a no chão um minuto só para meter quatro maçãs verdes dentro do saco de plástico de qualidade duvidosa e nisto já a miúda deu a volta à banca dos frutos secos e já está a caminho das arcas da carne. Largo o cesto, o saco das maçãs e lá vou eu a correr atrás dela. Ela ri-se, acha que isto é um jogo e eu já transpiro. Pego-a novamente ao colo e meto três pêras e uma papaia em sacos diferentes. Com ela ao colo até consigo fechar o saco, não sem antes deixar cair o saco das pêras. Vou pesar a fruta, o senhor que lá está olha para mim com um ar misericordioso, não sei bem porquê, nesta altura ainda só transpirava um bocadinho. Nisto a Ovelha Choné volta a ir parar ao chão, de forma deliberada, meto-a no chão e obrigo-a a apanhar a Ovelha. Depois de alguma insistência ela lá apanha o raio da Ovelha e volto a pegá-la ao colo. Sigo para o corredor dos iogurtes e mal ela vê os iogurtes quer-se lançar a eles. O corredor dos iogurtes estava pouco frequentado, lá consigo metê-la novamente no chão, claro que ela foge com a Ovelha e vai metê-la entre o expositor dos iogurtes e uma espécie de barra de ferro que lá está no chão não sei bem com que propósito. Pego-a novamente ao colo, sempre com o cesto atracado a mim e sigo para os congelados. Nisto, tenho tudo no cesto, tenho a Leonor ao colo e aguardo na fila da caixa prioritária que de prioritária tem apenas o nome, é que toda a gente se mete no raio daquela fila. Eu tenho uma criança com mais de 10kg ao colo, irrequieta, tagarela e um cesto com 7 artigos. Alguém se dá ao trabalho de ver que eu estou ali e me manda passar à frente? Não. Ali aguardo a minha vez, com a Ovelha a ir parar ao chão vezes sem conta, e eu a obrigá-la a apanhar o raio do bicho que já está mais nojento que o chão de uma discoteca às 7 da manhã. Meter os artigos no tapete é uma aventura, com uma mão seguro a miúda que está no chão e que começa a achar graça às cores vivas dos pacotes de pastilhas que estão ali mesmo ao nível dos olhos dela, e com a outra mão meto os artigos no tapete. Tiro o saco de plástico da mala, o cartão para pagar e um talão de desconto, tudo com ela ao colo e a rabear. A senhora da caixa mete-se com a miúda por causa da Ovelha e dá-me uma ajuda a ensacar tudo. Sento a Leonor em cima da caixa, já do lado dos artigos pagos mas ela não quer ficar sentada, põe-se de pé e acha tudo hilariante. Raio da miúda, levo-a às compras todas as semanas e parece que é sempre a primeira vez. Consigo safar-me desta, pego-a ao colo para me ir embora e com a outra mão seguro o saco das compras. Eu disse 7 artigos? Aquela porcaria pesava mais que a Leonor em dias que come que nem um alarve. Sigo a minha viagem entre a caixa e o carro com a Leonor ao colo e o saco das compras na outra mão. Transpiro. O meu cabelo até já pinga. O carro está no estacionamento mais perto da entrada do supermercado, ainda assim tenho de fazer paragens técnicas que o peso das compras está-me a matar um braço e a Leonor mata-me o outro. Troco a Leonor e o sacos das compras e aguento mais 10 metros. Vou assim neste sistema de trocas até ao carro, altura em que pouso tudo no chão, o saco e a Leonor. Nisto, enquanto estico ligeiramente as costas e abro o carro, a miúda foge-me no parque de estacionamento para a frente do carro, esconde-se entre a parede e o outro carro ao lado. Apanho ali uma camada de nervos e ralho-lhe, não pode fugir-me num parque de estacionamento. Pego-a novamente ao colo, abro o carro e meto-a na cadeira, mesmo com ela a resmungar. Fecho a porta e respiro fundo. As compras, esquecidas no chão, tomam o seu lugar na mala do carro e eu sento-me ao volante ainda a transpirar. Música alta e seguimos numa viagem calma e tranquila para casa. Ginásio? Vão vocês que eu vou ao supermercado que vale o mesmo.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2015
sábado, 15 de agosto de 2015
Férias depois de ser mãe
Ir de férias depois de ser mãe é sempre uma aventura. Quando fomos à Madeira em Março até foi simples, apenas 4 dias, uma mala de porão com roupas para mãe e filha, um saco ao ombro com fraldas, uma muda de roupa, comida, água, o livro para a entreter, casaco e babetes vários. Ela tinha 10 meses, foi mais ou menos fácil orientar tudo. Agora ela tem 15 meses e a logística é diferente. Precisa de uma cama de viagem, cadeira de papa, roupa para uma semana, 2 ou 3 brinquedos para se entreter, 2 ou 3 livros de histórias, fraldas normais e de água, cremes, medicamentos e afins, toalha de praia, um balde e duas pás, enfim, toda uma panóplia de tralha. A parte boa é que aprendi a optimizar a roupa que levo para mim, uma malinha pequena com tshirts e calções e pouco mais. Ainda não consegui aprender a levar pouca roupa para a miúda, há sempre a possibilidade de ela se sujar toda (coisa que acontece frequentemente que eu deixo-a andar pelo chão, rebola, cai, levanta-se e tal) e ter de vestir uma roupa de manhã e outra de tarde, e eu não estou para andar a lavar roupa nas férias!
Se calho a ter outro filho acho que preciso de uma carrinha de caixa aberta para ir de férias...
terça-feira, 19 de maio de 2015
Oliveirinha
Podia ser uma forma carinhosa de chamar a pequena Leonor, mas não, é mesmo o mais novo elemento da família Oliveira da Serra. Chama-se Oliveirinha porque é dirigido a crianças dos 6 meses aos 3 anos, devido à sua acidez reduzida (apenas 0,3%).
Descobrimos este azeite e cá em casa já mora uma garrafa destas. Quando me esqueço de adicionar o azeite é um pânico dar-lhe a sopa, estrebucha, guincha e esperneia, apesar de abrir sempre a boca porque a fome aperta. Quando adiciono azeite há dias que come melhor a sopa que outros, o que naturalmente está relacionamento com os ingredientes que meto dentro da panela. Ainda assim, acho que o Oliveirinha foi uma boa opção para a minha criança, ela come a sopa com mais gosto e já que ainda não pode comer comida com sal, ao menos que o azeite seja bom!
Fonte da imagem: Oliveira da Serra
Descobrimos este azeite e cá em casa já mora uma garrafa destas. Quando me esqueço de adicionar o azeite é um pânico dar-lhe a sopa, estrebucha, guincha e esperneia, apesar de abrir sempre a boca porque a fome aperta. Quando adiciono azeite há dias que come melhor a sopa que outros, o que naturalmente está relacionamento com os ingredientes que meto dentro da panela. Ainda assim, acho que o Oliveirinha foi uma boa opção para a minha criança, ela come a sopa com mais gosto e já que ainda não pode comer comida com sal, ao menos que o azeite seja bom!
Fonte da imagem: Oliveira da Serra
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Não me lembro
Não me lembro da última vez que pintei as unhas, talvez tenha sido num dos últimos baptizados a que fui no ano passado. Terá sido Setembro? Não tenho paciência. Ter de pintar, deixar secar, outra camada, seca de novo, depois aquele verniz transparente por cima para não acordar com as unhas cheias de marcas do cobertor. Tenho muitas outras prioridades, vem tudo à frente de pintar as unhas, a começar por passar tempo a brincar com a Leonor depois de a ir buscar à escola, ajudá-la a caminhar, ou ensinar-lhe o nome dos objectos de compõem a casa.
Desleixada? Talvez um bocadinho, mas o tempo não estica e há prioridades na vida e a maior de todas tem quase 11 meses e chama-se Leonor.
Desleixada? Talvez um bocadinho, mas o tempo não estica e há prioridades na vida e a maior de todas tem quase 11 meses e chama-se Leonor.
terça-feira, 3 de março de 2015
Encontros do acaso
Ontem, depois de fazer as compras no supermercado, lá ia eu a pensar nas coisas que tinha de fazer enquanto me dirigia ao estacionamento quando cruzei o olhar com uma senhora que subia a passadeira rolante. De óculos, cabelo apanhado, a falar ao telefone, com um ar feliz e despachado a empurrar um carrinho com uma criança que dormia. Eu olhei para ela, ela olhou para mim, olhei de novo e ela disse-me olá e sorriu. Era a enfermeira Marta. É impossível esquecer aquela cara. Fiquei a sorrir durante muito tempo e a pensar como é que ela se lembrava da minha cara. Vi-a apenas durante 3 dias há mais de 9 meses atrás e passam tantas caras naquela Maternidade. Este pequeno encontro deixou-me mesmo feliz.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Encomendas
Antes de haver Leonor, recebia encomendas com livros e cds. Agora? Agora é isto, meus senhores, menina Leonor monipoliza as encomendas e ora é o DVD da Peppa, livros de histórias, ora são pijamas quentinhos e fofuchos, enfim, é todo um mundo novo!
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Saldos?
Não sou fã. Não me perco por uma pechincha. Não gosto de lojas desarrumadas. Não gosto de muita gente junta. Não gosto de comprar só porque até está com um preço em conta. Não compro sem precisar. Não gosto dos saldos.
Nos saldos parece que toda a roupa que estava em armazém desde 1976 vem para as prateleiras e é uma confusão de cores e estilos que ninguém se entende.
Quando o Verão estava a terminar fui à Zara comprar roupa para a pequena Leonor vestir na estação que se avizinhava, pois ela só tinha roupa de Verão. Comprei várias peças, bem bonitas, tudo a combinar em brancos e rosas velhos, ficou uma autêntica boneca. Ora, como seria de esperar, quando vier a próxima Primavera/Verão vou ter de lhe comprar roupa nova, porque a miúda entretanto cresceu e obviamente nada do que tinha lhe serve. Passei na Zara a espreitar a nova colecção, ali meio escondida no meio dos saldos, já a fazer contas e a planear a aquisição de roupa para a criança e qual não é o meu espanto quando vejo rotulada de "nova colecção" uma das camisolinhas que lhe adquiri em Setembro. Fiquei indignada, pronto.
Nos saldos parece que toda a roupa que estava em armazém desde 1976 vem para as prateleiras e é uma confusão de cores e estilos que ninguém se entende.
Quando o Verão estava a terminar fui à Zara comprar roupa para a pequena Leonor vestir na estação que se avizinhava, pois ela só tinha roupa de Verão. Comprei várias peças, bem bonitas, tudo a combinar em brancos e rosas velhos, ficou uma autêntica boneca. Ora, como seria de esperar, quando vier a próxima Primavera/Verão vou ter de lhe comprar roupa nova, porque a miúda entretanto cresceu e obviamente nada do que tinha lhe serve. Passei na Zara a espreitar a nova colecção, ali meio escondida no meio dos saldos, já a fazer contas e a planear a aquisição de roupa para a criança e qual não é o meu espanto quando vejo rotulada de "nova colecção" uma das camisolinhas que lhe adquiri em Setembro. Fiquei indignada, pronto.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Voltei, voltei...
...voltei de lá, ainda ontem estava em França e agora já estou cá.
Podia ser, mas não! Voltei esta semana ao trabalho, acabou a licença de maternidade e deixei a minha Leonor em casa com o pai (que vai agora ter um mês de licença) e vim trabalhar.
Nas duas últimas semanas andei um bocadinho deprimida a pensar que ia deixar de estar sempre com a minha pequenina, mas o regresso nem foi assim tão mau, ajudou o facto de ter voltado a uma quinta-feira e de trabalhar menos 2h para amamentação.
Estes dois dias com o pai foram normais, a Leonor porta-se bem, chateia-se com o sono, ri-se muito e come a sopa porque tem fome, não porque goste muito dela.
Fonte: weheartit
Podia ser, mas não! Voltei esta semana ao trabalho, acabou a licença de maternidade e deixei a minha Leonor em casa com o pai (que vai agora ter um mês de licença) e vim trabalhar.
Nas duas últimas semanas andei um bocadinho deprimida a pensar que ia deixar de estar sempre com a minha pequenina, mas o regresso nem foi assim tão mau, ajudou o facto de ter voltado a uma quinta-feira e de trabalhar menos 2h para amamentação.
Estes dois dias com o pai foram normais, a Leonor porta-se bem, chateia-se com o sono, ri-se muito e come a sopa porque tem fome, não porque goste muito dela.
Fonte: weheartit
domingo, 14 de setembro de 2014
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Fui a banhos
Apesar de estar a passar grande parte da licença de maternidade na casa da praia, onde posso sair à rua com a Leonor sem ter de pegar no carro, hoje foi a primeira vez que vesti o biquini e fui à praia mergulhar. O mar estava uma autêntica lagoa, com bandeira verde, a temperatura estava óptima e a minha satisfação foi mais que muita. Nem consigo explicar sequer a alegria de entrar no mar depois de passar um Verão inteiro a olhá-lo cá de cima.
Hoje até a Leonor também foi à praia. A avó ficou com ela ao colo enquanto eu fui nadar um bocadinho e parece que ficou muito espantada a contemplar as ondas do mar. Aposto que vai gostar tanto do mar como eu.
sábado, 9 de agosto de 2014
Sobre a maternidade #2 - a estadia
A Leonor nasceu a 12 de Maio e no dia 15 deram-nos alta. Estivemos apenas 3 dias na maternidade, mas agora que olho para trás parece que foram tantos.
Já várias pessoas me tinham dito que as pessoas que trabalhavam naquela Maternidade eram impecáveis mas eu pude confirmar por mim própria.
A Leonor nasceu às 11:31 da manhã, a equipa que esteve no bloco operatório foi toda de uma simpatia extrema. Claro que não posso opinar sobre o profissionalismo porque a única coisa que ia vendo durante a operação era o pano verde que me meteram a tapar a área da operação, assim sendo pude ir conversando com as enfermeiras e com a anestesista que esteve sempre ao meu lado a monitorizar se tudo estava conforme previsto. Toda a equipa foi de uma simpatia e preocupação permanente, é bom ser recebido assim quando se está numa situação de ansiedade e fragilidade como é um parto.
Quando nos levaram para o quarto, logo o primeiro do piso, as enfermeiras de serviço vieram conhecer-nos, explicar-me que podia chamá-las através daquele botão caso precisasse de alguma coisa, que se fosse mesmo uma urgência para carregar duas vezes que vinham a correr. Cheguei a testar essa funcionalidade para a minha vizinha do lado e efectivamente largavam tudo quando alguém tocava duas vezes na campainha.
No primeiro dia tinha no quarto uma senhora que já tinha tido um filho, já sabia como as coisas se processavam e que me deu algumas dicas preciosas, mas no segundo dia, quando ela foi embora com o seu pequeno Guilherme, chegou o Rodrigo e a mamã, também um primeiro filho. Estávamos, portanto, as duas numa situação nova, cada uma a tentar perceber como funcionava o seu rebento. Neste processo de aprendizagem as enfermeiras foram uma peça fundamental, sempre disponíveis, sempre atentas, sempre a ajudar e a aconselhar.
Todas as manhãs a minha médica nos vinha visitar, ver se estava tudo a correr bem e dar-nos um bocadinho de mimo. Os outros médicos não nos diziam tanto, passavam só de vez em quando para fazer testes de audição ou para auscultar a Leonor ou para fazer não sei bem o quê que as drogas que me meteram para a veia não me permitem lembrar nitidamente de tudo naqueles dias. Ainda assim nunca é demais frisar que as enfermeiras daquela maternidade são incansáveis.
Ficou-me na memória e no coração a enfermeira Marta, muito despachada, muito bonita, sempre com muito atarefada mas sempre a fazer o que podia e o que não podia por nós. Guardo também na memória a estagiária enfermeira Beatriz Costa (um nome que se decora facilmente), uma menina com pouco mais de 20 anos, sempre muito querida com os bebés e com as mamãs, de uma simpatia incrível, tão prestável e amável.
Naturalmente que depois da boa experiência que tive com estas pessoas recomendo a Maternidade Daniel de Matos a quem estiver a pensar ter filhos porque o apoio que sentimos lá é meio caminho andado para uma boa recuperação e para acolher de forma saudável o bebé que acaba de se juntar à família.
Já várias pessoas me tinham dito que as pessoas que trabalhavam naquela Maternidade eram impecáveis mas eu pude confirmar por mim própria.
A Leonor nasceu às 11:31 da manhã, a equipa que esteve no bloco operatório foi toda de uma simpatia extrema. Claro que não posso opinar sobre o profissionalismo porque a única coisa que ia vendo durante a operação era o pano verde que me meteram a tapar a área da operação, assim sendo pude ir conversando com as enfermeiras e com a anestesista que esteve sempre ao meu lado a monitorizar se tudo estava conforme previsto. Toda a equipa foi de uma simpatia e preocupação permanente, é bom ser recebido assim quando se está numa situação de ansiedade e fragilidade como é um parto.
Quando nos levaram para o quarto, logo o primeiro do piso, as enfermeiras de serviço vieram conhecer-nos, explicar-me que podia chamá-las através daquele botão caso precisasse de alguma coisa, que se fosse mesmo uma urgência para carregar duas vezes que vinham a correr. Cheguei a testar essa funcionalidade para a minha vizinha do lado e efectivamente largavam tudo quando alguém tocava duas vezes na campainha.
No primeiro dia tinha no quarto uma senhora que já tinha tido um filho, já sabia como as coisas se processavam e que me deu algumas dicas preciosas, mas no segundo dia, quando ela foi embora com o seu pequeno Guilherme, chegou o Rodrigo e a mamã, também um primeiro filho. Estávamos, portanto, as duas numa situação nova, cada uma a tentar perceber como funcionava o seu rebento. Neste processo de aprendizagem as enfermeiras foram uma peça fundamental, sempre disponíveis, sempre atentas, sempre a ajudar e a aconselhar.
Todas as manhãs a minha médica nos vinha visitar, ver se estava tudo a correr bem e dar-nos um bocadinho de mimo. Os outros médicos não nos diziam tanto, passavam só de vez em quando para fazer testes de audição ou para auscultar a Leonor ou para fazer não sei bem o quê que as drogas que me meteram para a veia não me permitem lembrar nitidamente de tudo naqueles dias. Ainda assim nunca é demais frisar que as enfermeiras daquela maternidade são incansáveis.
Ficou-me na memória e no coração a enfermeira Marta, muito despachada, muito bonita, sempre com muito atarefada mas sempre a fazer o que podia e o que não podia por nós. Guardo também na memória a estagiária enfermeira Beatriz Costa (um nome que se decora facilmente), uma menina com pouco mais de 20 anos, sempre muito querida com os bebés e com as mamãs, de uma simpatia incrível, tão prestável e amável.
Naturalmente que depois da boa experiência que tive com estas pessoas recomendo a Maternidade Daniel de Matos a quem estiver a pensar ter filhos porque o apoio que sentimos lá é meio caminho andado para uma boa recuperação e para acolher de forma saudável o bebé que acaba de se juntar à família.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
À volta do mundo
Tinha começado há minutos o novo livro do Gonçalo Cadilhe, aquele em que ele conta a viagem que fez à volta do mundo e já a minha cabeça fervilhava de ideias. Não precisava ser um ano, 2 meses era aceitável se fosse possível. precisamos de um fio condutor para os lugares de estadia. Estava embrenhada entre pensamentos e a sua verbalização quando reparo que a Leonor me escutava muito atenta ao plano que eu ali delineava. Ou muito me engano ou teremos mais uma a gostar de viajar.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Sobre a maternidade #1 - o nascimento
12 de Maio será para sempre a data mais marcante no meu calendário, foi o dia em que veio ao mundo a princesa que cresceu dentro de mim durante 39 semanas.
À medida que se aproximava a data prevista do parto e se confirmava que a Leonor estava em posição pélvica (de cabeça para cima) ia-me mentalizando para que ela nascesse de cesariana. A cesariana foi marcada para dia 12 de Maio de manhã, pelo que a obstetra me mandou ir para a Maternidade para me internar na véspera ao fim da tarde, domingo. Ainda passei o fim de semana em casa dos pais, mas no domingo cheguei a casa, peguei nas malas (a minha e a da Leonor), passei pelo café para comer um gelado e "despedir-me" dos amigos e lá fui ver se me internava no lugar que iria ser a nossa casa durante uns dias.
Passei a cerca de hora e meia que durou a cesariana na expectativa, a falar com a anestesista e com as enfermeiras, todas detentoras de uma simpatia fora de série, enquanto a minha obstetra fazia o que de melhor sabe: fez nascer a minha criança.
A Leonor nasceu cheia de saúde (o índice de Apgar confirmou, 9 e 10), 3,400Kg de gente, 47 cm de amor puro, linda como uma flor e cheia de vida.
Assim que ma tiraram da barriga vi-lhe um bracinho e a cabeça, depois levaram-na para observar e vestir. Daí a pouco colocaram-na junto à minha cara para nos conhecermos uma à outra e ali estivémos durante um tempo que não consigo contabilizar a estabelecer uma ligação diferente daquela que tínhamos, agora com ela do lado de fora, o nosso primeiro momento a duas.
Durante esse primeiro dia não me pude mexer, estive sempre deitada e o pai encarregou-se de tratar da Leonor, desde mudar fraldas a metê-la junto a mim para mamar, ou segurá-la ao colo se ela chorava. É difícil lembrar-me dos pormenores desse primeiro dia, foram muitas emoções juntas para gerir, aprender a conhecer a minha menina e ela a mim, processar tudo enquanto o meu corpo ainda reagia à recente operação e ao efeito da anestesia.
Nesse dia soube que nunca mais o meu coração iria estar tranquilo porque o meu coração estava ali, fora do meu corpo. Ser mãe não se explica, sente-se.
À medida que se aproximava a data prevista do parto e se confirmava que a Leonor estava em posição pélvica (de cabeça para cima) ia-me mentalizando para que ela nascesse de cesariana. A cesariana foi marcada para dia 12 de Maio de manhã, pelo que a obstetra me mandou ir para a Maternidade para me internar na véspera ao fim da tarde, domingo. Ainda passei o fim de semana em casa dos pais, mas no domingo cheguei a casa, peguei nas malas (a minha e a da Leonor), passei pelo café para comer um gelado e "despedir-me" dos amigos e lá fui ver se me internava no lugar que iria ser a nossa casa durante uns dias.
Passei a cerca de hora e meia que durou a cesariana na expectativa, a falar com a anestesista e com as enfermeiras, todas detentoras de uma simpatia fora de série, enquanto a minha obstetra fazia o que de melhor sabe: fez nascer a minha criança.
A Leonor nasceu cheia de saúde (o índice de Apgar confirmou, 9 e 10), 3,400Kg de gente, 47 cm de amor puro, linda como uma flor e cheia de vida.
Assim que ma tiraram da barriga vi-lhe um bracinho e a cabeça, depois levaram-na para observar e vestir. Daí a pouco colocaram-na junto à minha cara para nos conhecermos uma à outra e ali estivémos durante um tempo que não consigo contabilizar a estabelecer uma ligação diferente daquela que tínhamos, agora com ela do lado de fora, o nosso primeiro momento a duas.
Durante esse primeiro dia não me pude mexer, estive sempre deitada e o pai encarregou-se de tratar da Leonor, desde mudar fraldas a metê-la junto a mim para mamar, ou segurá-la ao colo se ela chorava. É difícil lembrar-me dos pormenores desse primeiro dia, foram muitas emoções juntas para gerir, aprender a conhecer a minha menina e ela a mim, processar tudo enquanto o meu corpo ainda reagia à recente operação e ao efeito da anestesia.
Nesse dia soube que nunca mais o meu coração iria estar tranquilo porque o meu coração estava ali, fora do meu corpo. Ser mãe não se explica, sente-se.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
L que não é de Leonor
Diz-se por aí que na primeira gravidez as futuras mães têm a tendência de ir comprar roupa de grávida mal a barriga começa a crescer. Ora acho que nem nesta parte fui normal, só fui comprar duas camisolas de grávida porque a minha mãe quase me obrigou. Se as calças de grávida me dão efectivamente muito jeito (todas as outras deixaram mesmo de servir), relativamente às camisolas consegui desenrascar-me com o que tinha no armário, até ao dia em que a minha mãe me disse "vamos comprar roupa que eu quero que sejas uma grávida bonita", que é tudo o que uma pessoa quer ouvir da própria mãe! Sabem aquela coisa das mães acharem que somos os mais bonitos do mundo, independentemente das calças rotas, as sapatilhas gastas ou as camisolas com borbotos? Deixem lá isso, é tudo mentira.
Pois que lá fizemos uma incursão ao shopping mais próximo para adquirir uns modelitos da moda para a minha barriga que teimava em crescer um bocadinho a cada dia que passava. Claro que não fui a lojas de grávida, fui às lojas de sempre, mas como a barriga já há muito que deixou de ser lisa, vi-me obrigada a ir subindo os tamanhos à medida que experimentava roupa, porque se a barriga estava grande, ia acabar por crescer mais e quando viesse o calor primaveril já nada daquilo me ia servir e iria precisar de roupa novamente, e foi assim que eu, menina de S na roupa, acabei a comprar camisolas e tshirts de tamanho L. Quem disse que ir às compras era relaxante?
É todo um mundo novo
Felizmente nunca fui pessoa de grandes doenças ou paranóias com as mesmas, pelo que as minhas idas ao médico sempre passaram pelo estritamente necessário, ou seja, quando era obrigada pela minha mãe ou quando o caso era realmente grave. Assim sendo, todas estas andanças de consultas, análises e afins são uma nova descoberta associadas à gravidez.
Mais uma achega para a minha dissertação: causa-me dores de fígado pessoas que estão no atendimento ao público e logo pela manhã têm aquela cara de que toda a gente lhes deve e ninguém lhes paga, tratando os utentes de tal forma que uma pessoa até se sente culpada de cá ter vindo.
Pois bem, posto isto, vamos ao que interessa. Doutora manda vir à maternidade para me fazer uma análise que o médico de família se esqueceu de passar (antes que perguntem, sim, eu sou como o da canção, vou a todas, médica particular, maternidade e médico de família).
Assim que cheguei, fui falar com a médica e ela passou-me um papelinho com aquela letra ilegível tão própria dos médicos para eu ir à recepção inscrever-me. Ora é aqui que a história começa.
A senhora simpática da recepção, depois de ouvir o que eu queria, passa-me para a fila do lado, para ser atendida por aquela-que-parece-que-todos-lhe-devem-e-ninguém-lhe-paga. Ela ouviu o que pretendia e começou o fandango. Entredentes começou a barafustar que devia era estar no gabinete dela (deve ser daquelas que são boas é a trabalhar isoladas da população), que a médica não estava boa, que ia agora abrir um processo por causa de uma análise, nisto eu interrompo delicadamente e num esforço de simpatia que já não me estava a ser natural digo que a médica está no gabinete 1 se desejar falar com ela, ao que ouço "vou agora falar com a médica" - em jeito de desdém - "se ela diz que é para inscrever, é para inscrever" mas sempre com maus modos!
Perante a má disposição da senhora, só me saiu um seco "obrigada e bom dia", virei costas e lá fui esperar pela minha vez na consulta com a médica.
Cara senhora da recepção aquela-que-parece-que-todos-lhe-devem-e-ninguém-lhe-paga, a senhora trabalha numa maternidade, sabe, portanto, que as grávidas em particular são seres com mudanças de humor repentinas e a qualquer momento pode-lhe ser direccionada uma resposta torta ou até um insulto, por isso se eu fosse a senhora metia a minha melhor cara para vir trabalhar, mas se não estiver para isso, não se incomode que eu conheço pelo menos meia dúzia de pessoas que fariam o seu trabalho com um sorriso na cara e boa disposição e a senhora poderia ficar em casa a contar para a estatística do desemprego.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Leonor
Às 34 semanas semanas e 1 dia a nossa pequena Leonor diz olá ao mundo blogosférico ainda dentro da barriga da mãe, tendo como cenário o quarto mais lindo das redondezas.
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