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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Um Estranho no Coração, de Eduardo Sá


Este é o primeiro romance de Eduardo Sá, conhecido psicólogo de Coimbra, e cuja escrita e história não me encantou. Tem uma escrita leve e simples, não tão descritiva como gostaria e mais de análise, com um conjunto de personagens pouco vincadas e uma história com algum interesse.
Sentado num café, com o mar ao fundo, Gaspar sente a mão a tocar-lhe de leve no ombro, ouve a voz que não identifica e o chama. Vira-se para trás, leva algum tempo a reconhecê-la, assim tão pálida, escondida atrás dos óculos escuros. É a Luísa. Viu-a pela última vez vai para 42 anos, toda uma vida. E agora ali está ela, à sua frente, a sentar-se à sua mesa, como se fosse ontem. E tira os óculos. E os olhos encontram-se, a unir pontas que um dia se partiram, num verão distante, naquela mesma Nazaré. O coração de Gaspar aperta-se. É um coração velho, que já não serve. Gastou-o numa vida sem amor. E agora espera por um novo, um transplante, um milagre que lhe prolongue o prazo de validade. Agora mais do que nunca. Porque ela está ali, trazendo consigo a promessa de um futuro que não sabe se tem. Ou se algum dia terá. Romance de amor, de memórias, de reflexões, "Um Estranho no Coração" revela-nos uma faceta inesperada de Eduardo Sá. O contador de histórias continua presente, em cada página, em cada personagem. Mas desta vez usa como fio condutor uma única história, a de Gaspar; e nela projeta as suas (e as nossas) dúvidas, as decisões que tomamos, os desvios do caminho, as paragens sem porquê. E se nos oferece o balanço de uma vida vivida a medo, oferece-nos também uma ideia redentora: a segunda oportunidade, o eterno retorno.
Fonte: fnac.pt

Rio das Flores, de Miguel Sousa Tavares


A escrita de Miguel Sousa Tavares encantou-me em "Equador" e em nada me desiludiu em "Rio das Flores". A história, o contexto, a escrita, é tudo genial neste livro. À medida que se avança na leitura conhecem-se pormenores da época da Implantação da República e do Estado Novo em Portugal, da guerra civil em Espanha ou até da ditadura do Brasil. A ligar estes acontecimentos está a família Ribera Flores, uma família poderosa, alentejana com raízes espanholas, com personagens tão diferentes e com aspirações completamente opostas. Uma história brilhante que só posso recomendar.
Sevilha, 1915 - Vale do Paraíba, 1945: trinta anos da história do século XX correm ao longo das páginas deste romance, com cenário no Alentejo, Espanha e Brasil. Através da saga dos Ribera Flores, proprietários rurais alentejanos, somos transportados para os anos tumultuosos da primeira metade de um século marcado por ditaduras e confrontos sangrentos, onde o caminho que conduz à liberdade parece demasiado estreito e o preço a pagar demasiado alto. Entre o amor comum à terra que os viu nascer e o apelo pelo novo e desconhecido, entre os amores e desamores de uma vida e o confronto de ideias que os separam, dois irmãos seguem percursos diferentes, cada um deles buscando à sua maneira o lugar da coerência e da felicidade. "Rio das Flores" resulta de um minucioso e exaustivo trabalho de pesquisa histórica, que serve de pano de fundo a um enredo de amores, paixões, apego à terra e às suas tradições e, simultaneamente, à vontade de mudar a ordem estabelecida das coisas. Três gerações sucedem-se na mesma casa de família, tentando manter imutável o que a terra uniu, no meio da turbulência causada por décadas de paixões e ódios como o mundo nunca havia visto. No final sobrevivem os que não se desviaram do seu caminho.
Fonte: fnac.pt

O Apocalipse dos Trabalhadores


Ainda não sou fã dos livros de Valter Hugo Mãe, tenho vindo a lê-los aos poucos, a absorvê-los mas ainda sem encontrar a genialidade que muitos apregoam.
Foi com alguma reticência que comecei a leitura deste livro, um livro que se revelou de escrita simples mas com alguns apontamentos de maior complexidade, com uma história que começa num cenário do quotidiano mas que leva um rumo um pouco ficcional demais. Volto a frisar que a forma como o autor faz a pontuação me incomoda. Incomoda-me que não a use correctamente, tal como Saramago também não usava, se eu escrevesse assim seria um erro, sendo um autor consagrado é uma forma de arte. Não concordo.
Este é o romance mais divertido de Valter Hugo Mãe, feito da história sempre trágica de duas empregadas de limpeza e carpideiras profissionais que, entre cansaços e desilusões, encontram ainda motivos de esperança.Cada uma ao seu modo, descobrem caminhos nada óbvios para a felicidade, explicando uma inteligência que radica mais na emoção do que na prudência envergonhada do bom senso. O retrato mais genuíno de Portugal é, ao mesmo tempo, um sinal de força e de confiança para que, um dia, o país se encontre com a generosidade que define tanto o seu próprio povo.
Fonte: fnac.pt

Diários Inéditos da Guerrilha Cubana, de Che Guevara e Raúl Castro


Este livro é um conjunto de páginas dos diários de Che Guevara, Raúl Castro e Fidel Castro que regista todos os acontecimentos relevantes a partir do momento em que partiram do México para derrubar o regime cubano.
Para quem tem alguma curiosidade sobre o socialismo cubano e a forma como se desencadeou a revolução é um livro que não podem deixar de ler.
Os diários do Che e de Raul dizem muito da natureza da Revolução Cubana e do carácter dos seus combatentes. Nas suas páginas encontramos não poucas respostas àqueles que ainda hoje se perguntam as razões de sobrevivência do processo revolucionário perante a quantidade de adversidades e obstáculos que, ao longo destes anos, desde a vitória popular do 1º de Janeiro de 1959, teve e soube enfrentar a Revolução Cubana, e do seu vigor e frescura sempre renovados. Amigos e inimigos poderão aprender ou reafirmar nestes diários de campanha o significado das ideias e os princípios da luta revolucionária, a importância decisiva nessa empresa de factores, tais como o esforço, a vontade de lutar, a decisão e a constância, o valor e o resultado final da luta. Essas são, precisamente, as experiências que legou a Revolução Cubana a todos os que noutras partes do mundo se propuseram, e se proporão no futuro, unir a sua sorte à dos pobres da terra e lutar pelo melhor destino dos seus povos. Por isso, estes diários são documentos de valor perdurável e de plena vigência nos nossos dias.
Fonte: fnac.pt

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Assim foi Auschwitz, de Primo Levi


Nesta obra Primo Levi e Leonardo de Benedetti contam, através de registos da época da libertação, como era efectivamente viver em campos de concentração, as atrocidades que se cometiam, como era feita a selecção à chegada, enfim, um rol de descrições violentas e chocantes que nos levam a pensar como é que esta chacina pôde ter lugar no século XX?
Um livro que celebra os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial Em 1945, no rescaldo do fim da Guerra e da libertação dos campos de concentração pelas forças aliadas, o exército soviético pediu a Primo Levi e a Leonardo de Benedetti, seu companheiro de campo, que redigissem uma relação detalhada das condições de vida nos Lager. O resultado foi um dos primeiros relatórios alguma vez realizados sobre os campos de extermínio. Chocante pela objectividade e detalhe, tocante pela precoce e indignada lucidez, é um testemunho extraordinário daquela que viria a ser uma das vozes mais relevantes da antologia de memórias sobre o Holocausto. Assim foi Auschwitz recolhe esse relatório e vários outros textos de Primo Levi – inéditos até hoje - sobre a experiência colectiva do Holocausto, compondo um mosaico de memórias e reflexões críticas de inestimável valor histórico e humano, tão relevantes hoje, 70 anos volvidos sobre o fim da Segunda Guerra, como no tempo em que foram escritos.
Fonte: fnac.pt

terça-feira, 12 de abril de 2016

Um Casamento de Sonho, de Domingos Amaral


Este livro de Domingos Amaral retrata a violenta crise económica que se abateu sobre Portugal e sobre a Europa no início da década de 2000. Um grupo de amigos bem posicionados socialmente e com uma almofada financeira bastante boa vê-se a braços com um aglomerado de dívidas e dúvidas que se propagam além da conta bancária e afectam a vida pessoal e social do grupo.

Viver acima das possibilidades (com o patrocínio da banca), ou não saber descer de nível de vida quando foi preciso, foi um claro erro de muitos portugueses que contraíram dívidas astronómicas e viram a vida que tinham esfumar-se.

O livro mostra-nos uma perspectiva interessante (e quiçá um pouco exagerada) da realidade que foi lidar com a crise nas famílias mais abastadas e que só tomaram consciência que esta estava instalada quando já não conseguiam pagar as contas e tiveram de começar a vender o património.
Quando na economia crescem as dívidas, no amor crescem as dúvidas. Foi a crise económica a culpada do falhanço do casamento de Leonardo e Constança, ou havia razões mais profundas e secretas? Confrontado com a notícia de um terrível acidente no Brasil, onde estão Constança e os seus filhos, Rita e Leonardinho, o melhor amigo de Leonardo vai acompanhá-lo numa difícil viagem à Baía. É durante esse voo que Rafael se irá recordar de como tudo começou, com a majestosa festa de casamento dos seus amigos, na quinta da família de Constança, no ano de 1998. Quase vinte anos de memórias da vida de um grupo de amigos são percorridos, desde os tempos em que eram mais novos e acabados de se formar nas universidades, passando pelos casamentos e pelos nascimentos dos filhos, pela época eufórica em que o futuro era risonho e todos viviam bem, moravam em excelentes casas e viajavam pelo mundo felizes, até aos dias em que a felicidade começou a ruir, os casamentos a falhar, as traições a surgir, e a crise económica a gerar falências, dívidas e desilusões.
Fonte: fnac.pt

quarta-feira, 23 de março de 2016

A porteira, a madame e outras histórias de portugueses em França, de Joana Carvalho Fernandes


Histórias de pessoas de emigraram numa época tão difícil como foi o pré-25 de Abril ou mesmo histórias dos que, nos dias que correm, tiveram de largar tudo e fazer frente a uma crise que não pediram são histórias que me tocam, que mexem comigo. A coragem, a força de vontade, e o risco que correm faz-me admirar estas pessoas cada vez mais,

Este livro conta-nos histórias verdadeiras de portugueses que saíram de Portugal por força das circunstâncias e que, à sua maneira, venceram. Venceram o medo, as dificuldades, venceram-se a si próprios. É uma leitura que recomendo, sem dúvida, e que se faz de um só fôlego.
França é o país estrangeiro onde vivem mais portugueses. São quase 600 mil. Se contarmos com os descendentes, são mais de um milhão. Este livro dá rostos a esses números: conta histórias dos que partiram para combater na Primeira Guerra e decidiram ficar, dos que fugiram da ditadura, da miséria e da Guerra Colonial e não voltaram, e dos que deixaram o Portugal da Troika.
Fonte: fnac.pt

quinta-feira, 17 de março de 2016

O Coro dos Defuntos, de António Tavares


"O Coro dos Defuntos", de António Tavares, sagrou-se vencedor do Prémio Leya em 2015 e, como tenho lido todos os vencedores de edições anteriores, não poderia deixar passar este em branco.

O livro é composto por capítulos que se assemelham a contos, e por vezes a ligação entre eles não é evidente e chega a ser inexistente. O tipo de linguagem é diferente, com palavras a que não estamos habituados no dia-a-dia. Ainda assim faz uma descrição do Portugal rural dos anos 70 focando aspectos históricos mundiais daquela época e que foi o que mais me cativou neste livro.

Os regionalismos, em homenagem à forma de escrever de Aquilino Ribeiro - frisado pelo autor no início do livro -, são um elemento diferenciador e ao mesmo tempo cansativo ou mesmo exagerado.

A história em si parece que não desenvolve, em termos de conteúdo ficou um pouco aquém da minha expectativa, ainda assim vale sempre a pena ler.
Um belíssimo retrato do mundo rural português entre 1968 e 1974. Vivem-se tempos de grandes avanços e convulsões: os estudantes manifestam-se nas ruas de Paris e, em Memphis, é assassinado o negro que tinha um sonho; transplanta-se um coração humano e o homem pisa a Lua; somam-se as baixas americanas no Vietname e a inseminação artificial dá os primeiros passos.Porém, na pequena aldeia onde decorre a acção deste romance, os habitantes, profundamente ligados à natureza, preocupam-se sobretudo com a falta de chuva e as colheitas, a praga do míldio e a vindima; e na taberna – espécie de divã freudiano do lugar – é disso que falam, até porque os jornais que ali chegam são apenas os que embrulham as bogas do Júlio Peixeiro.E, mesmo assim, passam-se por ali coisas muito estranhas: uma velha prostituta é estrangulada, o suposto assassino some-se dentro de um penedo, a rapariga casta que colecciona santinhos sofre uma inesperada metamorfose, e a parteira, que também é bruxa, sonha com o ditador a cair da cadeira e vê crescer-lhe, qual hematoma, um enorme cravo vermelho dentro da cabeça.Quando aparece o primeiro televisor, as gentes assistem a transformações que nem sempre conseguem interpretar... António Tavares (Angola, 1960) formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. É professor do ensino secundário e, actualmente, exerce o cargo de vicepresidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Escreveu peças para teatro – Trilogia da Arte de Matar, Gémeos 6, O Menino Rei –, estudos e ensaios – Luís Cajão, o Homem e o Escritor; Manuel Fernandes Thomás e a Liberdade de Imprensa; Arquétipos e Mitos da Psicologia Social Figueirense; Redondo Júnior e o Teatro – entre outros. Foi jornalista, fundador e director do periódico regional A Linha do Oeste. Fundou e coordenou a revista de estudos Litorais.Como romancista, obteve uma menção honrosa no prémio Alves Redol, atribuída em 2013 pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ao romance O Tempo Adormeceu sob o Sol da Tarde, ainda no prelo, e foi finalista do Prémio Leya 2013 com As Palavras que me Deverão Guiar um Dia. Com o romance O coro dos defuntos venceu, por unanimidade, o Prémio Leya 2015
Fonte: fnac.pt

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Eu já fui... #1

Eu já fui uma pessoa que lia livros de empreitada. Agora só os transporto de um lado para o outro...

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Deixei o meu Coração em África, de Manuel Arouca



África no tempo da guerra colonial tem sido o meu tema de eleição para leituras de lazer.
Enquanto esteve na guerra, Rodrigo escreveu um manuscrito das suas vivências por terras africanas cheio de emoção com os factos que marcaram a sua existência naquele período. Isabel recebe esse manuscrito numa altura em que todos julgam que Rodrigo morreu. O manuscrito leva-nos numa viagem que começa nos anos sessenta na sociedade lisboeta e nos leva ao continente da terra vermelha.
É um romance muito bem escrito que prende o leitor pelas suas descrições e episódios intensos de guerra, amizade, emoção, tristeza e amor.

Um grande amor em tempos de guerra, a sedução de África e o retrato de um Portugal inesquecível... Isabel recebe um manuscrito em condições inesperadas e misteriosas. O seu autor, Rodrigo, desaparecido há seis anos e dado como morto pelos seus amigos, relata as experiências e as vivências, os factos e as emoções, os encontros e os desencontros que marcaram a sua vida. O leitor é levado numa viagem que o transporta aos loucos anos sessenta na alta sociedade lisboeta e o leva à sedução de África, continente misterioso que abre novos horizontes.
Fonte: fnac.pt

terça-feira, 21 de julho de 2015

A Outra Voz, de Gabriela Ruivo Trindade


Inspirada na vida de um familiar da autora, esta história apresenta-nos João José Mariano Serrão, uma personagem fulcral no desenvolvimento e evolução da cidade de Estremoz. Mariano, assim conhecido, é-nos apresentado por cinco personagens que com ele privaram para, no fim, o conhecermos pelas suas próprias palavras em forma de diário.
Ainda que haja realidade nesta história, aqui se esconde um romance histórico situada na época da Implantação da República que acompanhou o tempo e os acontecimentos até ao fim do regime ditatorial que marcou o país por mais de 40 anos.

A autora, vencedora do Prémio Leya 2013 com este livro, tem uma escrita cuidada, simples, descontraída, mas dramática a ponto de cada personagem parecer mais dolorosa de ler que a anterior.

Talvez por ter demorado algum tempo a ler este livro, perdi-me um pouco com as personagens e com a sua ligação, em que geração estavam e qual o cenário político da época, ainda assim é de uma leitura agradável.
João José Mariano Serrão foi um republicano convicto que contribuiu decisivamente para a elevação de Estremoz a cidade e o seu posterior desenvolvimento. Solteiro, generoso e empreendedor como poucos, abriu lojas, cafés e uma oficina, trouxe a electricidade às ruas sombrias e criou um rancho de sobrinhos a quem deu um lar e um futuro. É em torno deste homem determinado, mas também secreto e contido, que giram as cinco vozes que nos guiam ao longo destas páginas, numa viagem que é a um tempo pessoal e colectiva, porque não raro as estórias dos narradores se cruzam com momentos-chave da história portuguesa. Assim conheceremos um adolescente que espreitava mulheres nuas e ria nos momentos menos oportunos; a noiva cujos olhos azuis guardavam um terrível segredo; um jovem apaixonado pela melhor amiga que vê a vida subitamente atravessada por uma tragédia; a mãe que experimentou o escândalo e chora a partida do filho para a guerra; e ainda a prostituta que escondia documentos comprometedores na sua alcova e recusou casar-se com o homem que a amava. Por fim, quando estas vozes se calam, é tempo de ouvirmos o protagonista através de um diário escrito noutras latitudes e ressuscitado das cinzas muitos anos mais tarde. Baseado em factos reais, "Uma Outra Voz" é uma ficção que nos oferece uma multiplicidade de olhares sobre a mesma paisagem, urdindo a história de uma família ao longo de um século através das revelações de cada um dos seus membros, numa interessante teia de complementaridade.
Fonte: fnac.pt

terça-feira, 14 de julho de 2015

Confusões literárias

Sabes que o fim de semana te afectou quando ouves no rádio que as escolas passarão a incluir Mandarim no currículo escolar e pensas "Olha, bem pensado, mais um livro do Eça no plano".

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Ler? O que é isso?

Um dia destes ainda me esqueço do quão bom é o cheiro de um livro novo, ou o cheiro de um livro mais antigo que a minha existência, de como sabe bem folhear livros, analisar a grafia da capa, ler compulsivamente, ler...um dia destes ainda me esqueço como se lê um livro tal é a raridade com que o tenho feito.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Casa na Duna, de Carlos de Oliveira


Casa na Duna é um romance de 1943 passado na zona da gândara numa época lá muito atrás, quando os camponeses tinham grandes dificuldades económicas, havia muita miséria e fome e os fidalgos se aborreciam com a vida monótona que levavam. 
A história foca-se em Mariano Paulo, dono de uma quinta na aldeia de Corrocovo, que faz o que pode para evitar a compra de máquinas para trabalhar a quinta. O seu filho, Hilário, é um estroina conflituoso que não tem qualquer interesse em nada, e não se prevê que vá fazer alguma coisa da vida. É um retrato de uma sociedade exploradora e explorada tendo como cenário as areias brancas das dunas do mar da gândara.
Casa na Duna foi publicado pela primeira vez em 1943.Aqui não sabemos o que mais admirar — da desenvoltura da escrita à densidade do tema, passando pelas principais personagens, jamais reduzidas a caricaturas. Isto num autor que, à época, só tinha 22 anos!Corrocovo, a aldeia da novela, funciona como poderosa metáfora de um país arcaico e claustrofóbico, ainda dominado pela atmosfera rural. Lá, como no Portugal inteiro, há homens a viver como os bichos. Mas o seu empenhamento social não leva o autor a perder uma atracção quase poética pela natureza. Abundam descrições sugestivas como esta: Hilário gostava do Inverno à solta. Céus a desabar, casebres submersos, pinhais vergados ao peso das bátegas, água e vento contra a janela. Passava as noites acordado enquanto o ar de roldão devastava tudo. Ocorriam-lhe histórias nebulosas da infância. Bruxas, lobisomens, botas de sete léguas.O grande fascínio deste livro surge ao nível da técnica estilística: o autor joga com mudanças súbitas de tempo, de forma verbal, de sujeito narrativo. Por influência do cinema, recorre a flashbacks para diversificar a acção. Inspirado em autores como Hemingway, Caldwell e Jorge Amado — que marcaram todo o neo-realismo português —, cultiva o parágrafo curto, seco, incisivo. Nesta prosa não há um adjectivo a mais, nem um vocábulo fora do lugar. Por sua vez, também ele influenciou outros: é nítido o parentesco entre Casa na Duna e O Delfim (1967), de Cardoso Pires.Carlos de Oliveira (1921-81) deixou-nos uma obra de ficção lamentavelmente curta, com apenas cinco títulos editados em 35 anos, mas de qualidade indiscutível. Basta que a memória ceda apenas um momento para os mortos estarem perdidos, escreveu ele em Casa na Duna. Até por isso, é urgente lembrá-lo. E lê-lo.Pedro Correia — Diário de Notícias.
Fonte: fnac.pt

terça-feira, 31 de março de 2015

Namoro à Moda Antiga, de Gabriel Frada


Foi com enorme curiosidade e gosto que li este livro que nos conta como era difícil a vida na Gândara há muitos anos e nos encanta com todos os pormenores do namoro à moda antiga. Este livro traduz-se num relato fidedigno das tradições de uma época na nossa terra, tradições que se foram desvanecendo com o tempo mas que nunca deixaram de existir. Vale tanto a pena compreender as nossas raízes.
«A vida da nossa gente nos tempos de namoro à antiga torna-se mais compreensível se formos capazes de entender o diálogo travado entre o homem e a terra». Estas palavras são deste interessante trabalho de pesquisa das raízes e manifestações culturais do povo da Gândara, notável património desta região.A riqueza desta obra está tanto na atenção prestada aos mais insignificantes fenómenos da vida tradicional, como na tentativa duma interpretação coerente destes factos.
Fonte: bertrand.pt

sábado, 10 de janeiro de 2015

A Gândara Antiga, de João Reigota

"É assim o Homem da Gândara, esse Homem extraordinário que foi capaz de criar a sua própria terra (no sentido mais literal do termo...), e fê-lo secularmente, num enorme esforço, verdadeiramente heróico, de autêntico demiurgo.."

Esta obra, além de ter grande detalhe sobre as terras da Gândara, os seus limites, as suas características sociais e arqueológicas, é quase uma ode às gentes da nossa terra, esta terra de gente de trabalho, de esforço, de persistência e resiliência.

"Felizmente já não sofremos tanto as agruras da Gândara, mas ainda sentimos muito de perto as adversidades e a luta tenaz das gentes gandaresas."

É a minha terra e é um gosto aprender mais sobre ela.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ninguém Escreve ao Coronel, de Gabriel Garcia Marquez


Neste romance Gabriel Garcia Marquez conta a história de um coronel e da sua esposa que vivem de forma miserável. O coronel espera há 15 anos a carta da sua reforma por ter sido coronel na Guerra dos Cem Anos , mas ela teima em nunca chegar e a única coisa que têm, e que de certa forma está também a dar despesa, é um galo de lutas, uma herança do seu filho Agustin, que foi assassinado. Esse galo é mais uma boca para alimentar quando o casal já passa tanta fome que chega a colocar pedras a cozer para os vizinhos não perceberem que há dias em que não se come naquela casa.
A velhice, a doença, a solidão, a pobreza, a fome, são temas que não deixam o leitor indiferente.
Escrito em poucas páginas e num estilo despreocupado, este livro lê-se de uma assentada, apesar de se chegar ao fim a querer saber um pouco mais da vida do casal. É inevitável conter o sorriso no último desabafo do coronel que parece ter chegado ao seu limite.
Um dos romances que definiu García Márquez como escritor. Num estilo puro e transparente, com uma economia expressiva excepcional que marcava já o seu futuro como escritor, García Márquez narra com brilho inaudito a história de uma injustiça e violência: um pobre coronel reformado vai ao porto esperar, todas as sextas-feiras, a chegada de uma carta oficial que responda à justa reclamação dos seus direitos por serviços prestados à pátria. Mas a pátria permanece muda… Prémio Nobel de Literatura em 1982, Gabriel García Márquez nasceu na Colômbia em 1928. Da sua vasta bibliografia destacamos os romances Cem Anos de Solidão, O Outono do Patriarca, O Amor nos Tempos de Cólera, Crónica de Uma Morte Anunciada, O General no Seu Labirinto, Doze Contos Peregrinos, Do Amor e Outros Demónios, Notícia de Um Sequestro e A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile, assim como o primeiro volume do seu livro de memórias Viver Para Contá-la, todos eles publicados nesta colecção. Memória das Minhas Putas Tristes, editado em 2005, é o seu mais recente romance.
Fonte: fnac.pt

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A Arte da Viagem, de Paul Theroux


"A Arte da Viagem" não é um romance nem é o relato de uma viagem, é sim um aglomerado daquilo que os viajantes dizem das suas viagens. É um livro para se ir lendo, devagarinho, para ir absorvendo as frases ditas por quem foi, viu, esteve e sentiu.
De acordo com Paul Theroux, estes são os 10 mandamentos relativamente ao "essencial da viagem":
1. Sair de casa;
2. Ir sozinho;
3. Viajar leve;
4. Levar um mapa;
5. Ir por terra;
6. Atravessar a pé uma fronteira nacional;
7. Fazer um diário;
8. Ler um romance que não esteja relacionado com o local em que se está;
9. Se tiver de levar um telemóvel, evitar usá-lo;
10. Fazer um amigo».
Cinquenta anos de viagens celebrados por uma recolha de textos que formaram Paul Theroux enquanto leitor e enquanto viajante - um manual literário de viagem, um guia filosófico, uma antologia de grandes autores que viajaram, entre eles Theroux. "A Arte da Viagem" mostra toda a bagagem - espiritual ou física - que levaram e que trouxeram; os lugares por onde passaram, ou nunca passaram; os prazeres e os sofrimentos do viajante, os paradoxos da viagem, a solidão, o anonimato, o encontro com estranhos; a estrada enquanto vida; as cidades, os comboios, as paisagens; a aventura; e a tradição, a política e a pornografia na viagem; o tempo e o amor na viagem; e a viagem enquanto transformação. Neste extraordinário tributo encontramos, entre muitos, Vladimir Nabokov, Samuel Johnson, Evelyn Waugh, Mark Twain, Bruce Chatwin, Graham Greene, Isak Dineses, Anton Tchekov, Ernest Hemingway e o melhor de Paul Theroux.
Fonte: fnac.pt

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Desumanizacão, de Valter Hugo Mãe


Depois de ler "A Máquina de Fazer Espanhóis" tinha alguma curiosidade no novo livro de Valter Hugo Mãe, "A Desumanização". Perdoem-me os intelectuais e os apreciadores deste livro mas não o achei a obra prima que apregoava a crítica. O livro é diferente, bem escrito e original mas a história, passada nos fiordes da Islândia não me prendeu. No texto não se sentem as paisagens da Islândia, não há grande referências ao local. A história é realmente diferente relacionando temas negros como a depressão, o ódio, a morte, o abandono, luto, solidão e medo que deixam o leitor numa ansiedade para acabar de ler para acabar o sofrimento.


«Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas.» Passado nos recônditos fiordes islandeses, este romance é a voz de uma menina diferente que nos conta o que sobra depois de perder a irmã gémea. Um livro de profunda delicadeza em que a disciplina da tristeza não impede uma certa redenção e o permanente assombro da beleza.O livro mais plástico de Valter Hugo Mãe. Um livro de ver. Uma utopia de purificar a experiência difícil e maravilhosa de se estar vivo
Fonte: fnac.pt

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O Retrato da Mãe de Hitler, de Domingos Amaral


"O Retrato da Mãe de Hitler" surge na sequência de "Enquanto Salazar Dormia". Jack Gil volta novamente a Lisboa, e não é só para ver o bisneto que entretanto nasceu. Lisboa é o local da acção e os acontecimentos numa época em que a guerra termina são o centro da história. Lisboa era naquela época local de fuga ou ponto de passagem dos refugiados da guerra.
O pai de Jack Gil, que fugiu para os EUA quando a guerra começou, regressa a Portugal para mandar o seu filho ajudá-lo na sua busca por tesouros nazis cuja rota de fuga passa por Portugal.
Apesar de todo o contexto histórico interessante, há demasiados capítulos dedicados à vida amorosa de Jack Gil, a informação histórica acaba por se perder entre as descrições cheias de pormenores da vida libertina de Jack Gil.
A escrita de Domingos Amaral volta a ser simples e agradável, o que faz com que o livro se leia rapidamente.
Lisboa 1945. Jack Gil Mascarenhas Deane já não trabalha para os serviços secretos ingleses, pois a guerra acabou, mas a chegada do seu pai a Lisboa vai alterar a sua vida. O pai é um colecionador de tesouros nazis e vai obrigar Jack Gil a ajudá-lo na sua demanda pelos valiosos artefactos, que muitos nazis, como Manfred, tentam vender em Lisboa, antes de fugirem para a América do Sul. Dividido entre o desejo de ajudar o pai e o desejo de partir de Lisboa, Jack Gil está também dividido nos seus amores, pois embora esteja apaixonado por Luisinha, uma portuguesa que adora cinema e acredita na democracia, fica perturbado pelo regresso de Alice, o seu amor antigo, uma mulher duvidosa, misteriosa mas entusiasmante, que fora a sua paixão de uns anos antes, e que desaparecera certa noite da sua vida.
Fonte: fnac.pt