quinta-feira, 24 de junho de 2010

Memórias do antigamente


Hoje na Caderneta de Cromos, programa dirigido pelo Nuno Markl na Rádio Comercial, falava-se de algo que nas aldeias era e ainda é comum: colocar a saca do pão na porta e de manhã, quase que por magia, lá estava o pãozinho fresquinho para o pequeno-almoço.
Essa prática tem-se vindo a perder ao longo dos anos. Na nossa casa sempre colocámos a saquinha do pão na porta, todos os dias durante anos. O pão era pago quando a minha mãe se lembrava de fazer as contas, a padeira confiava e a minha mãe anotava todos os dias a quantidade de pães com que ficávamos.
Coube-me muitas vezes essa tarefa: antes de dormir colocava dentro da saca do pão um cartão com o número de pães que queríamos (tínhamos vários, desde 4 a 10), atava a saca e pendurava-a na porta da frente. Na volta, ia à cozinha, abria a gaveta da cozinha onde estava o bloco de notas e escrevia a data e o número de pães que tínhamos pedido. De mês a mês ou de dois em dois meses, a minha mãe fazia as contas e deixava na saca do pão um cheque para a padeira. Nunca conheci tal senhora, ela chegava entre as 3h e as 4h e a essa hora as crianças dormiam. Havia confiança nas pessoas, um valor tão importante que se está a perder com o avanço dos tempos.
Esporadicamente ainda colocamos a saca do pão na porta, mas agora penduramo-lo na porta da vizinha que o padeiro dela tem aquele pão que nós gostamos tanto.


Fonte: aqui

2 comentários:

Vera, a Loira disse...

Sim, eu também me lembro da saca pendurada na porta.

Xana disse...

Por isso é adoro a minha aldeia...ás portas da cidade de Coimbra onde ainda se faz isso...excepto que o pagamento é feito ao fim da semana. Mas coisa que mesmo assim se deixou de ver foram as sacas de pão de pano...agora é plástico... enfim! Pena, eram bem giras :)

Jinhos***