Por esta altura do ano recuo sempre no tempo. Recuo até ao ano em que fui eu a chegar a Coimbra, caloira, 17 anos na pele, uma mão cheia de expectativas e outra cheia de dúvidas. Será que me iria adaptar e ser quem costumava ser? Será que iria fazer amigos ou iria manter os que já tinha? Será que ia gostar do curso ou teria errado redondamente na escolha? Será que iria ter saudades de casa ou iria ser fácil reajustar-me a esta nova realidade? Será que me ia safar a cozinhar ou ia passar a vida em cantinas baratas?
Doze anos depois aqui continuo, eu apego-me aos lugares e às pessoas, estou perto da minha família, consigo ir jantar a casa e voltar, porque a minha casa será sempre lá, junto ao mar e aos meus. Gosto da cidade, gosto das pessoas e dos amigos que acabei por cá fazer. Os amigos da faculdade perderam-se no mundo, a ligação quebrou-se no tempo, os amigos de sempre estão por cá, outros nem por isso, mas tenho-os no coração e nos regressos a casa. Cozinhei para poucos e para muitos, ainda hoje o faço. O curso fez-se com algum custo, sobrevivi a 5 Queimas das Fitas e a muitas noites de copos com amigos e gente que mal conhecia. Sobrevivi a noites inteiras a fazer trabalhos, sozinha ou em grupo. Sobrevivi à varicela na primeira Latada. Sobrevivi a despedimentos, novos empregos, quilómetros e tempo perdidos para trabalhar fora de Coimbra, até a insolvências. Onde antigamente descobria bares e discotecas, agora descubro restaurantes novos que vão abrindo na cidade. Agora tenho uma ligação ainda mais forte a Coimbra, foi aqui que nasceu a Leonor, e esta será a casa dela. É aqui que vai ter os amigos dela, é aqui que vai crescer e aprender muita coisa. As raízes dela estarão lá ao pé do mar mas Coimbra é a sua cidade.
Como diz a canção, Coimbra é mesmo uma lição de vida. Foi e há-de continuar a ser a minha cidade preferida emprestada.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2015
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Banco Alimentar
O Banco Alimentar Contra a Fome levou a cabo a sua segunda campanha do ano nos passados 30 de Novembro e 1 de Dezembro. Há algum tempo inscrevi-me como voluntária para o armazém que nas lojas não seria grande ajuda, já que detesto ser eu a dirigir-me às pessoas para pedir o que quer que seja, sou muito mais útil no backoffice a meter as mãos na massa (esta expressão pode ser considerada no seu sentido literal que o que não falta nas doações é massa).
Assim sendo, e depois do apelo via email por parte das pessoas que organizam estas coisas cá na cidade, inscrevi-me para ir ajudar na tarde de sábado, a separar os produtos por cestos de categorias.
Saí de casa a pensar que estava a ser útil à sociedade, por abdicar de uma tarde de sábado para ajudar quem precisa, e efectivamente foi o sentimento que perdurou a tarde toda, estava mesmo feliz por estar a ajudar de alguma forma, e soube-me bem conviver durante uma tarde com pessoas que como eu acharam que dar uma tarde de sábado à sociedade não era nada demais e não me ia cair nenhum braço. Valeu, mais não fosse pela simpatia e disponibilidade de todos os envolvidos.
Ainda tentei encontrar o saco de coisas que eu tinha doado nessa manhã ao Banco Alimentar mas era impossível tal a velocidade com que abrimos os sacos e os despejamos na passadeira dos produtos.
A reter: os pacotes de farinha rompem-se com grande facilidade, e o esparguete também, especialmente aqueles que são de marcas próprias dos supermercados.
Esta é, sem dúvida, uma experiência a repetir.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Como gastar 50€ sem dar conta disso
Entras na Loja do Cidadão e levantas 50€ logo à partida. Tiras senha para o balcão do IMTT e outra para o IRN (Instituto de Registos e Notariado).
A senhora do IMTT chama primeiro, lá vais tu, sentas-te e pedes para mudar a morada da Carta de Condução que deve estar a condizer com a morada do Cartão de Cidadão (que mudaste online e por isso não tiveste de pagar nadinha, um luxo nos dias que correm). Depois de mostrar a carta de condução, o cartão de cidadão e de dar uma foto tipo-passe, assinas uma folha e largas logo ali 15€. Ainda assim a nova carta vai demorar entre 3 a 4 meses, diz a senhora que estas coisas estão assim com grande atraso, vá-se lá saber porquê.
A seguir o senhor do balcão do Documento Único Automóvel do IRN chama a tua senha (isto pode demorar um bocadinho, dependendo da quantidade de conversa que o cliente anterior está disposto a ter com o senhor que atende neste balcão), pedes para mudar a morada do proprietário do teu veículo. Depois de mostrares o Documento Único Automóvel e o Cartão de Cidadão, dizes a morada nova, assinas e entregas 35€. Está tratado, assim, com rapidez que eu não sou pessoa de fazer esperar quem está a seguir. Demora cerca de uma semana a vir o novo documento, pelo menos este é rápido.
Quando sais pensas "acabei de contribuir com mais uma pedrinha para tapar o buraco do Estado."
Ora vamos lá ver, há uma coisa que é preciso frisar, se há uma coisa boa que esta gente inventou foi a Loja do Cidadão, ora se assim não fosse eu teria de me dirigir a dois edifícios diferentes, que podiam não se situar sequer perto um do outro, e que estariam fechados à hora a que fui à Loja do Cidadão, teria provavelmente de perder uma tarde para ir tratar destes assuntos e assim numa hora ficou tudo resolvido e pago. O que está bem feito também deve ser falado e a Loja do Cidadão foi uma grande invenção.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
O Intruso
17 de Outubro de 2013. Estamos em crise, toda a gente sabe, e esta crise não é de agora, tem-se vindo a arrastar lentamente como uma lagartixa preguiçosa.
Marco Horácio é o actor que traz até nós uma peça cheia de boa disposição com dicas para ultrapassar a crise, introduzindo o conceito de low-cost em tudo desde a namorada aos sogros. Até truques de magia Marco Horácio, ou deverei dizer Arménio Carlos, faz em palco, frente a uma plateia onde figurava o grande mágico Luís de Matos.
Durante mais de uma hora uma plateia inteira riu, mas riu com vontade, durante mais de uma hora a crise animou aquela sala que no fim aplaudiu de pé e com toda a força.
Apetecia-me apontar todos os bons disparos do Marco Horácio, que foram tantos, mas lembro-me particularmente de um: "primeiro mandaram-nos apertar o cinto, não sei para quê, é que agora mandaram-nos baixar as calças!"
Portugal também é Coimbra, não me canso de dizer, e peças destas fazem-nos falta, cada vez que uma peça destas vem a Coimbra enche a sala, isso não é um sinal de que merecemos mais varidade?
Marco Horácio, o apresentador, ator, humorista, criador e intérprete, propõe “soluções” para combater a crise. Vai fazer refletir. Vai descortinar maneiras de os portugueses olharem a crise de frente. Até os estrábicos. Vai mostrar pequenos truques para fazer face à falta de dinheiro, à falta de perspetivas e à falta de noção de quem usa t-shirts de alças. E não menos importante que isso, Marco Horácio vai demonstrar como o low cost pode ser aplicado nas mais pequenas e variadas coisas do quotidiano. Desde a namorada low cost, aos sogros low cost, ao artista low cost, nada parece impossível aos olhos deste gentil-homem e benfeitor comediante. Um espetáculo de intrusos, que nada têm a perder: do público, à senhora da bilheteira, ao técnico. Intrusos que de repente assistem a um espetáculo… por um Intruso. O texto foi escrito por três dos mais conceituados guionistas portugueses: Henrique Dias, Frederico Poiares e Roberto Pereira, em coautoria com o próprio Marco Horácio. TEXTO Frederico Poiares, Henrique Dias e Roberto PereiraCOAUTOR Marco HorácioENCENAÇÃO Sónia Aragão INTERPRETAÇÃO Marco HorácioENCENAÇÃO DE MAGIA Luís de MatosMÚSICA Carlos Menezes e Carlos LeitãoSOM Luís Ramos/Jorge PinaPRODUÇÃO Ana Soares Produções Lda.PRODUÇÃO EXECUTIVA Ana Teresa SoaresFonte: TAGV
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Ana Moura no rio
Ouço fado desde sempre, na minha casa havia um gira-discos que tinha sempre lá dentro um vinil da Amália. Foi um gosto incutido pelo meu pai que sempre admirou esta música tão nossa, pelo que não foi por acaso que comecei há uns anos a ouvir as novas vozes do fado. No meio dessas vozes estava a Ana Moura, com uma voz grave e doce, forte e tocante. Dediquei-me a conhecer o trabalho desta artista e não pensei duas vezes quando soube que ia estar em Coimbra, a cantar à beira rio, aos pés de uma cidade marcada também ela pelo fado.
O concerto foi mesmo muito bom, a interacção da Ana Moura com o público é muito boa, a boa disposição da artista e o guitarrista exímio marcaram uma noite incrível. Gosto, gosto sempre e muito de ouvir Ana Moura, especialmente a música "Caso Arrumado" que me enche a alma. Ainda que não a tivesse cantado, a noite seria igualmente memorável.
terça-feira, 4 de junho de 2013
ColorRun - Coimbra
Ainda não tinha tido oportunidade de mencionar aqui o quão divertido e colorido foi a ColorRun que decorreu no dia 4 de Maio aqui nesta bela cidade de estudantes, já lá vai um mês.
A expectativa era alta, a julgar pela publicidade que se fazia "os 5km mais divertidos do planeta", o que é certo é que foi realmente divertido e bem organizado. O mais aborrecido foi o tempo ao sol em cima da ponte antes da partida, porque só partiam 1000 pessoas de cada vez e participaram mais de 13000 pessoas. Estar na ponte, tudo aos saltos e sentir a ponte abanar foi qualquer coisa de surreal.
Conseguimos correr, às vezes só dava para andar porque as pessoas acumulavam-se nos pontos de cor, conseguimos levar com muito pó de tinta, e rir muito. No fim ainda havia um DJ para animar a malta e barraquinhas para comer e beber. Durante a corrida deram-nos águas em alguns pontos, mas continuo a achar que no final deviam dar uma buchazinha, que depois de tanta parvalheira uma pessoa fica com uma certa fome e ao preço que pagámos pela inscrição acho que era adequado. É sempre bom passar uma tarde divertida com os amigos de cá e os que vieram de Lisboa só para participar. O estado da minha roupa, pele e cabelo foi este que se vê na foto, tive de esfregar-me muito bem e o cabelo teve de ser lavado duas vezes, saiu tudo mas foi precisa alguma insistência.
É possível que volte a repetir a experiência, já que fico sempre muito contente quando estas iniciativas ocorrem nesta bela cidade, porque Portugal não é só Lisboa...
domingo, 3 de março de 2013
Rock Planet
Quem estudou em Coimbra deve-se lembrar daquele espaço mítico na praça que era a Via Latina. Há algum tempo a Via fechou e sofreu umas obras de requalificação, abrindo como Rock Planet. O estabelecimento está aberto há meses mas só agora tive oportunidade de ir conhecer o espaço.
Em termos de aspecto está simplesmente espectacular, desde um Dodge antigo à entrada, uma Harley estacionada atrás de um dos balcões ou até um eléctrico pendurado sobre a pista de dança, a decoração está mesmo bem conseguida. A música é à antiga, dos 80s, daquela que nos faz cantar até ficarmos roucos, que nos faz olhar para o lado e ver que a faixa etária dos frequentadores do espaço vai desde malta mais jovem que nós até grupos de pessoas da idade dos nossos pais.
Fiquei mesmo fã do Rock Planet, ainda assim só tenho a apontar o facto de haver um conjunto de "artistas"com violinos eléctricos, contratados certamente, que de quando em vez interrompiam a música e começavam a tocar, afastando assim as pessoas da diversão da pista de dança, um autêntico turn off.
É um lugar que não só recomendo como espero voltar!
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Troquei o Carnaval pelo Fado...
...e marquei presença na noite de sábado no Diligência.
Decidi não festejar o Carnaval e acabei numa noite de fados, cheia de boa disposição, risos, sangria, música e alegria.
O Carnaval já não é como os Outros Carnavais, e este ano não estava com grande espírito para os festejos associados a esta época, com máscaras e disfarces e a obrigatoriedade da diversão, por isso este ano troquei o Carnaval pelo Fado e que bem que me soube.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Apanhei o 6
Por ocasião de uma ida ao Hospital a uma consulta achei que a melhor forma era regressar de autocarro que o estacionar naquele hospital é coisa que me causa problemas nas entranhas.
Eu sei, andar de autocarro é chato porque estamos condicionados pelos horários e tal, mas eu divirto-me à grande cada vez que ando de autocarro e para isso só preciso escutar. Divirto-me a ouvir conversas alheias, fico ali a conter uma vontade de rir enorme, quando saio na minha paragem vou a rir até casa. Andar de autocarro é mais barato que ir ao teatro ou ao circo e também causa boa disposição.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Feira do Artesanato e do Livro
Gosto de iniciativas culturais nesta "minha" cidade. Ontem à noite desloquei-me ao Parque Verde para visitar a feira do livro que decorre por estes dias, até 3 de Junho.
Não resisti a tirar algumas fotos aos painéis de algumas das livrarias presentes.
Chegando ao fim do Parque Verde (e da feira do livro) passámos ao Parque Dr. Manuel Braga e visitámos a feira de artesanato. Muitas eram as exposições, desde trabalho em vidro, até tecido, barro, madeira, um sem fim de coisas bonitas. No final da visita constatei que não tenho jeito para nada e há tanta gente com tanta habilidade por esse país fora, de norte a sul.
Claro que a noite só podia terminar nas poucas tasquinhas disponíveis (que só pecam por serem poucas) a dar cabo de uma tábua mista para duas pessoas e um pão divinal. Claro que tivemos de mandar vir reforços para ajudar nesta empreitada e só levantámos arraiais quando percebemos que já estava tudo arrumado à nossa volta e só sobrávamos na conversa.
Vale a pena visitar, acaba já no próximo domingo!
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Noite de Serenata
Hoje é dia da Serenata na Sé Velha, o evento que marca o início da Queima das Fitas, a noite em que muitos dos estudantes vestem a capa e batina pela primeira vez e vêem as suas capas serem traçadas ao som de palavras de sucesso.
É nestes dias que me bate aquela saudade (esse sentimento tão nosso) dos tempos de estudante, esses anos de glória e muita má vida.
Provavelmente não mais voltarei a assistir à Serenata ao vivo mas nunca me sairão da memória aqueles momentos.
"Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’rá vida."
É nestes dias que me bate aquela saudade (esse sentimento tão nosso) dos tempos de estudante, esses anos de glória e muita má vida.
Provavelmente não mais voltarei a assistir à Serenata ao vivo mas nunca me sairão da memória aqueles momentos.
"Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’rá vida."
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Madonna em Coimbra
Esporadicamente Coimbra é levada em conta para grandes espectáculos, primeiro os Rolling Stones, depois U2 e agora é a vez de Madonna dar espectáculo na cidade dos estudantes.
É um concerto que eu gostava muito de ver, deve dar um grande espectáculo de música, dança e cor, mas isso não supera a minha falta de paciência para estar em filas intermináveis a comprar bilhetes com valores excessivos que variam entre os 76 e os 162 euros. Na loucura até metia de lado a minha intolerância por grandes aglomerados de gente, uma vez que fosse, mas já viram o preço dos bilhetes??
Fonte da imagem: aqui
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
De capa e batina
Ontem depois da corrida habitual de quinta-feira achámos que era uma noite tão boa como outra qualquer para ir comer marisco (isto anda-se a tornar num ritual gastronómico). Como o 39, ali no Estádio, devia estar confuso (para os mais distraídos a Académica jogou ontem), achámos que era de valor irmos tentar o Tapas, ali pertinho da Praça da República, que frequentámos tantas vezes depois dos nossos jogos de jorky quando ainda não tinha levado com obras, nem a direcção tinha passado para o 39.
Depois de jantar vi grupos de jovens de capa e batina na rua do Botânico, como tantas vezes eu ali passei, a pé, em dia de sair à noite (quinta-feira é conhecida como a noite de sair para os estudantes desta cidade), de capa e batina, a envergar com orgulho aquela vestimenta que me metia logo o rótulo de estudante universitária. Hoje olho para trás e tenho saudades, claro que tenho, foram tempos áureos, e só quem passa por Coimbra percebe a simbologia daquela roupa, percebe o que é efectivamente ser um estudante de Coimbra.
Ontem lembrei-me daquelas noites na AAC em que saíamos lá de dia, lembrei-me dos jantares no 1ºI, lembrei-me das noites do parque em que literalmente éramos varridos de lá para fora, lembrei-me dos cortejos, lembrei-me das noites no Cartola, lembrei-me da alegria que enchia a praça quando os caloiros chegavam, lembrei-me de quando a A. me rasgou a capa, lembrei-me de todas as vezes que apanhei o 24T sem hora para regressar, lembrei-me do orgulho que tinha em vestir a capa e batina e no facto de me ter servido sempre durante os anos de curso, lembrei-me das noites em que saía sozinha e sem destino concreto e encontrava sempre alguém conhecido, lembrei-me daqueles jantares na Baixa, lembrei-me dos brindes, lembrei-me das promessas, lembrei-me das pessoas com quem fui perdendo ligação, lembrei-me de tantos momentos únicos e irrepetíveis.
É impossível não sentir saudades, se a minha capa falasse tinha tantas histórias para contar.
Depois de jantar vi grupos de jovens de capa e batina na rua do Botânico, como tantas vezes eu ali passei, a pé, em dia de sair à noite (quinta-feira é conhecida como a noite de sair para os estudantes desta cidade), de capa e batina, a envergar com orgulho aquela vestimenta que me metia logo o rótulo de estudante universitária. Hoje olho para trás e tenho saudades, claro que tenho, foram tempos áureos, e só quem passa por Coimbra percebe a simbologia daquela roupa, percebe o que é efectivamente ser um estudante de Coimbra.
Ontem lembrei-me daquelas noites na AAC em que saíamos lá de dia, lembrei-me dos jantares no 1ºI, lembrei-me das noites do parque em que literalmente éramos varridos de lá para fora, lembrei-me dos cortejos, lembrei-me das noites no Cartola, lembrei-me da alegria que enchia a praça quando os caloiros chegavam, lembrei-me de quando a A. me rasgou a capa, lembrei-me de todas as vezes que apanhei o 24T sem hora para regressar, lembrei-me do orgulho que tinha em vestir a capa e batina e no facto de me ter servido sempre durante os anos de curso, lembrei-me das noites em que saía sozinha e sem destino concreto e encontrava sempre alguém conhecido, lembrei-me daqueles jantares na Baixa, lembrei-me dos brindes, lembrei-me das promessas, lembrei-me das pessoas com quem fui perdendo ligação, lembrei-me de tantos momentos únicos e irrepetíveis.
É impossível não sentir saudades, se a minha capa falasse tinha tantas histórias para contar.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
O meu primeiro acidente
Nunca tinha tido um acidente em 7 anos e tal de carta mas, como se diz por aí, uma vez é a primeira.
Naquela maldita rotunda a uma sexta-feira de manhã ia eu alegre e contente para o trabalho, a ouvir a rádio do costume, quando de repente sinto o camião que seguia na faixa ao meu lado (que na verdade estava na minha faixa) a bater-me. Bastante calma lá parei o carro com 4 piscas e o camião parou mais à frente, por momentos ainda me passou pela cabeça que ele não parasse e eu tivesse de ir atrás dele, mas não chegou a ser preciso.
Ora o homem disse logo que pagava, que a culpa era dele, que não queria meter o seguro ao barulho (pois, lá se ia o prémio) e nem assinei declaração amigável nem chamei a polícia, à confiança, como faço sempre, acredito sempre que as pessoas são boas e séries, mas às vezes isso não acontece.
Ora no meio da confusão toda do acidente e de telefonemas para trás e para frente, orçamentos para aqui e para ali, o camionista acabou por me dar o dinheiro para arranjar o carro (que está neste momento a ser tratado na oficina) e tudo se resolveu da melhor forma, mas houve ali um momento em que depois achei que ele já não me ia pagar e quem se lixava era eu.
O meu carro não ficou em muito mau estado, tendo em conta que o acidente envolveu um camião, mas ainda assim o arranjo ficou bem para cima do que eu pensava quando vi o estrago, teve de arranjar a jante, desempenar o painel lateral, pintar a lateral toda, pintar pára choques, desempenar o guarda lamas, enfim, o cabo dos trabalhos (quem me manda ter um carro caro...).
Posto isto, nota mental que ficou: nunca mais confiar em ninguém, assinar sempre a declaração amigável ou chamar a polícia!! Vão por mim, é o melhor...
Apanhei o 6
Durante os meus tempos de estudante fui sempre uma cliente assídua do serviço dos SMTUC, ia para todo o lado de autocarro, de casa para a faculdade, para a praça para sair com os amigos à noite, para a baixa passear à quarta à tarde, para a estação para apanhar o comboio à sexta, para o centro comercial, para dentista, para o hospital, ou seja, corria a cidade toda com os SMTUC.
Quando comecei a trabalhar em part-time, a minha mãe emprestou-me o carro porque não havia autocarros para o sítio onde trabalhava (provavelmente havia 2 por dia, um para ir e outro para vir a horas pouco convenientes). Isto já foi em 2007. Desde essa altura coloquei de lado o passe de autocarro e passei a deslocar-me de carro para todo o lado.
Sensivelmente 4 anos depois tive de ir a uma conferência na zona da praça, um sítio onde o estacionamento não abunda e o pouco que existe é a pagar. Ainda por cima chegaram-me a assaltar o carro na rua para onde ia, o que não me ia deixar nada descansada ao estacionar lá.
Ora num rasgo de inteligência pensei que o melhor mesmo era ir de boleia e voltar de autocarro, numa loucura de quem não anda de autocarro há 4 anos e já nem sequer sabe os horários dos autocarros de cor e já nem sequer mora no mesmo sítio!
Depois da conferência dirigi-me à praça para apanhar um autocarro que me levasse à portagem e depois iria apanhar outro para casa (nunca tinha apanhado um autocarro para onde moro agora, na margem sul). Qual não é o meu espanto quando vejo chegar o 6 (eu nem sabia que o 6 passava na praça) e lembrei-me que aquele autocarro me passava quase à porta de casa. No alto dos meus saltos altos lá entrei num autocarro cheio de gente, encostei-me a uma janela e lá fui eu durante meia hora a ouvir conversas de autocarro, a pensar como é bom não ter de conduzir no trânsito de fim de tarde da baixa e a relembrar aqueles tempos tão lá atrás em que eu só andava de autocarro.
Fiquei até um pouco saudosista, não sei se de andar de autocarro ou se de lembrar dos tempos em que andava de autocarro. Uma coisa é certa, por muito que não me importe de andar de autocarro de vez em quando se der jeito, não troco o meu carrinho por nada deste mundo!
Fonte da foto: aqui
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Brio camarário
Na viagem do fim de semana passado a Viseu apercebi-me de quão bem tratados estão os jardins da cidade, sejam jardins de grande ou pequena dimensão ou até mesmo rotundas. As rotundas estão todas muito bem arranjadas, com flores bonitas a desenhar figuras, com a relva cortada e bem regada.
Regresso a Coimbra e começo a prestar atenção aos jardins e às rotundas, a maior parte envolto num matagal de ervas secas, sem a preocupação de agradar a quem cá vive ou quem vem de fora para visitar. Não é assim que promovemos o turismo, não é assim que fazemos com que as pessoas gostem desta cidade, já era altura de quem manda (Câmara Municipal de Coimbra) prestar atenção a estas pequenas coisas e pôr os olhos em Viseu!
Fonte da imagem: weheartit
segunda-feira, 28 de março de 2011
À Capella
Sexta-feira passada, a noite foi passada n'à Capella a ouvir fados típicos de Coimbra, as guitarradas de Carlos Paredes e ainda algumas músicas de Zeca Afonso, tudo isto em família.
Fiz alguns vídeos e partilho aqui apenas um de um dos fados de Coimbra cantados nessa noite.
O Fado de Coimbra tem algumas particularidades, além de ser tipicamente cantado por homens, a guitarra portuguesa tem uma afinação diferente quando acompanha o Fado de Coimbra.
Fiz alguns vídeos e partilho aqui apenas um de um dos fados de Coimbra cantados nessa noite.
O Fado de Coimbra tem algumas particularidades, além de ser tipicamente cantado por homens, a guitarra portuguesa tem uma afinação diferente quando acompanha o Fado de Coimbra.
Muito ligado às tradições académicas da respectiva Universidade, o fado de Coimbra é exclusivamente cantado por homens e tanto os cantores como os músicos usam o traje académico: calças e batina pretas, cobertas por capa de fazenda de lã igualmente preta. Canta-se à noite, quase às escuras, em praças ou ruas da cidade. Os locais mais típicos são as escadarias do Mosteiro de Santa Cruz e da Sé Velha. Também é tradicional organizar serenatas, em que se canta junto à janela da casa da dama que se pretende conquistar.Fonte: wikipedia
O fado de Coimbra é acompanhado igualmente por uma guitarra portuguesa (mais correctamente uma guitarra de Coimbra) e uma guitarra clássica (também aqui chamada "viola"). No entanto, a afinação e a sonoridade da guitarra portuguesa são, em Coimbra, diferentes das do fado de Lisboa na medida em que as cordas são afinadas um tom abaixo, e a técnica de execução é diferente por forma a projectar o som do instrumento nos espaços exteriores, que são o palco privilegiado deste Fado. Também a guitarra clássica se deve afinar um tom abaixo. Esta afinação pretende transmitir à música uma sonoridade mais soturna, relativamente ao Fado de Lisboa.
Temas mais glosados: os amores estudantis, o amor pela cidade, e outros temas relacionados com a condição humana. Dos cantores ditos "clássicos", destaques para Augusto Hilário, António Menano, Edmundo Bettencourt.
No entanto, nos anos 1950 do Século XX iniciou-se um movimento que levou os novos cantores de Coimbra a adoptar a balada e o folclore. Começaram igualmente a cantar grandes poetas, clássicos e contemporâneos, como forma de resistência à ditadura de Salazar. Neste movimento destacaram-se nomes como Adriano Correia de Oliveira e José Afonso (Zeca Afonso), que tiveram um papel preponderante na autêntica revolução operada desde então na Música Popular Portuguesa.
No que respeita à guitarra portuguesa, Artur Paredes revolucionou a afinação e a forma de acompanhamento do fado de Coimbra, associando o seu nome aos cantores mais progressistas e inovadores. (Artur Paredes foi pai de Carlos Paredes, que o seguiu e que ampliou de tal forma a versatilidade da guitarra portuguesa que a tornou um instrumento conhecido em todo o mundo.)
Fado Hilário, Saudades de Coimbra ("Do Choupal até à Lapa"), Balada da Despedida do 6º Ano Médico de 1958 ("Coimbra tem mais encanto, na hora da despedida", os primeiros versos, são mais conhecidos do que o título), O meu menino é d’oiro, Samaritana – são alguns dos mais conhecidos fados de Coimbra.
Curiosamente, não é um fado de Coimbra, mas uma canção, o mais conhecido tema falando daquela cidade: Coimbra é uma lição, que teve um êxito assinalável em todo o mundo com títulos como Avril au Portugal ou April in Portugal.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
CoWork.Coimbra
Tomei conhecimento, através do Diário As Beiras, de um espaço que foi criado em Coimbra para freelancers que trabalham em casa ou em cafés.
O CoWork.Coimbra pretende combater o isolamento dessas pessoas e promover um convívio entre profissionais de diferentes áreas num ambiente descontraído e acolhedor.
Com uma renda acessível, a CoWork.Coimbra oferece uma secretária, uma cadeira, Internet e café/chá, entre outras coisas. As cadeiras não me parecem muito confortáveis (nas fotos), mas isso são pormenores.
Vamos lá ver, isto não é apenas um espaço onde se pode trabalhar, é um espaço de convívio e troca de ideias, um conceito que faltava em Coimbra. Há muito que Coimbra deixou de ser apenas a cidade dos estudantes, Coimbra é agora, também, uma cidade cheia de pessoas empreendedoras que se vêem muitas vezes a braços com o problema de arranjar um espaço próprio para trabalhar.
Para quem está a começar do zero, julgo que o CoWork.Coimbra será uma hipótese muito viável. Mesmo sendo freelancer, é preciso ter um espaço acolhedor e credível onde se possa receber clientes. Em Coimbra já há solução para quem está cansado de passar o dia sozinho a trabalhar em casa.
Na página do Facebook da CoWork.Coimbra foram colocados vídeos do espaço por dentro e de facto parece-me bastante acolhedor e com bom ambiente.
NOTA: Ninguém me pagou para promover o espaço, a divulgação prende-se com o facto de ter achado a ideia mesmo interessante.
Fonte da foto: CoWork.Coimbra
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