quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"A Cidade e as Serras" de Eça de Queiroz


"A Cidade e as Serras" é um romance desse grande escritor que foi Eça de Queiroz. Eça faz aqui um paralelismo entre a vida agitada e luxuosa da cidade-luz onde Jacinto nasceu e cresceu rodeado de vícios, conforto e  festas e a vida calma e tranquila da serra que envolve o Douro. Zé Fernandes, o grande amigo de Jacinto, relata a vida de Jacinto, acabando também por contar a sua própria vida. Jacinto nasceu e cresceu em Paris, no núcleo da sociedade dos excessos, dos luxos, das vontades e da vida boémia. Paris já não o satisfazia e decidiu então ir conhecer Tormes, nas margens do Douro, onde a família de Jacinto tinha uma quinta. 
O estilo de escrita é o mesmo a que Eça nos habituou n' Os Maias, e a história tem algumas semelhanças. Comparei Jacinto a Carlos da Maia e Zé Fernandes a João da Ega. As descrições de Eça permitem imaginar pormenor a pormenor os cenários da história e um dia gostava de visitar Tormes e a quinta que efectivamente existe e é explorada pela neta de Eça de Queiroz. Achei a história simplesmente deliciosa e naturalmente que recomendo a leitura desta obra tão antiga e ao mesmo tempo tão presente.


«O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival.

No Alentejo, pela Estremadura, através das duas Beiras, densas sebes ondulando por colina e vale, muros altos de boa pedra, ribeiras, estradas, delimitavam os campos desta velha família agrícola que já entulhava grão e plantava cepa em tempos de el-rei D. Dinis. A sua quinta e casa senhorial de Tormes, no Baixo Douro, cobriam uma serra. Entre o Tua e o Tinhela, por cinco fartas léguas, todo o torrão lhe pagava foro. E cerrados pinheirais seus negrejavam desde Arga até ao mar de Âncora. Mas o palácio onde Jacinto nascera, e onde sempre habitara, era em Paris, nos Campos Elísios, n.º 202.»


Fonte: fnac.pt

1 comentário:

sugestaodeleitura disse...

A obra é magnifica, mas por incrível que pareça, quanto a mim, é agora mais actual que na altura da sua publicação.
Eça tem uma capacidade incrível para fazer-nos visitar certos lugares sem os termos visto antes.